Nova realidade à direita

O PSD Guimarães foi a eleições no último fim-de-semana. Bruno Fernandes, atual vereador da oposição na Câmara de Guimarães e Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso, é o novo líder da estrutura local.

Esta eleição abre espaço a uma nova realidade na oposição à direita em Guimarães, a algumas análises que são possíveis desde já e a lançar algumas dúvidas para o futuro.

Comecemos pela análise possível, desde logo na representatividade nos órgãos.

A atual lista da direção do Partido não conta com alguns dos principais nomes do passado. Assumindo desde já o meu desconhecimento no que diz respeito às questões particulares estatutárias que permitirão (tal como no PS) algumas inerências aquele órgão, é possível destacar ausências dignas de registo: André Coelho Lima, César Teixeira, Tiago Laranjeiro, Luís Cirilo, Daniel Rodrigues, Ricardo Araújo, Rui Armindo Freitas, Francisca Almeida, Emídio Guerreiro, Sara Fernandes, Margarida Pereira, Filipa Leite ou José Couceiro da Costa. E isto analisando apenas algumas das últimas listas de candidatos do PSD à Assembleia Municipal, Câmara ou Deputados.

Alguns poderão ser reflexo das recentes eleições nacionais, outros serão questões de disponibilidade dos próprios, mas muitos resultarão da necessidade de estabelecer alguns equilíbrios internos.

A segunda análise é a das primeiras reações internas ao anúncio destas mesmas listas, notando-se algum desconforto no seio de alguns elementos do PSD local quanto à composição dos órgãos e à ausência de alguns membros. Este segundo ponto poderá resultar do ponto anterior. Mais relevante se torna quando da composição resultante se levantam questões quanto à proximidade dos elementos ao novo líder.

A terceira análise leva-me de volta ao artigo da última semana e à representação das mulheres. Em 13 membros da direção do PSD local, apenas 3 são mulheres e todas elas Vogais. Nem uma vice-presidente, secretária-geral ou tesoureira. Depois é natural que na composição das listas de vereação não tenham nenhum nome feminino que surja nas primeiras substituições…

Por fim, as dúvidas relativas ao futuro. Neste capítulo há duas grandes perguntas que poderão andar de mão dada. Uma diz respeito à possível coligação e a outra à liderança dessa candidatura.

No que diz respeito à possível coligação, podendo ser cedo para essa análise, até porque haverá eleições tanto em PSD como no CDS até 2021 novamente, o contexto nacional pode começar a desenhar candidaturas individuais à direita.

No respeitante à liderança dessa possível coligação, a questão será outra e pode começar a levantar-se desde já. Não me parece, pelo perfil do novo líder do PSD, que não devamos equacionar que seja Bruno Fernandes a protagonizar uma candidatura à Câmara.

Até porque, em resultado de uma eleição em que o PS alargou a sua vantagem para a coligação em 5000 votos, André Coelho Lima poderá não voltar a ter condições para encabeçar a lista.

A grande dúvida que coloco perante este cenário é se Bruno Fernandes é candidato a 2021 a pensar em 2025, ou se o passo atrás de André Coelho Lima terá ainda esta esperança de voltar a liderar a coligação no futuro mais distante. Se assim for, as portas do seu próprio partido abrir-se-ão novamente?

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.