O custo das ajudas de custo

comercio de Guimaraes FA

Têm sido vários os episódios que mostram o vergonhoso aproveitamento por parte de políticos e administradores da coisa pública.

O mais recente, envolvendo o recém-nomeado secretário-geral do PSD, pôs a nu o facto de ser proprietário de uma moradia em Lisboa, ter declarado residência no distrito de Leiria, por cujo círculo fora eleito, dando o endereço dos pais.

Curiosamente, quando era vereador numa Câmara do mesmo distrito, declarava residência em Lisboa.

A reboque deste caso, veio ao de cima o caso de Sónia Fertuzinhos que, residindo em Lisboa, declara viver em Guimarães.

Houve até o caso de uma senhora deputada que, vivendo em Paris, exigia que lhe pagassem as passagens para vir para a Assembleia da República. E se ela fosse viver para Xangai!?

Depois temos aquela rapaziada que, tendo passado pelos governos, mexido os cordelinhos, entregavam por tuta e meia, as empresas públicas aos privados e depois passavam, com todo o descaramento, para as respectivas administrações.

Um milhão de euros de prémio, por conseguir as tarifas de energia mais caras da Europa!?

Depois temos as “Santas Casas” deste pobre país, com destaque para a de Lisboa, cujo provedor, para além do principesco salário, leva mais de três mil (3.000) euros em ajudas de custo e representação.

Outro exemplo, prende-se com os casos de corrupção, falcatruas e desvio de fundos nas, cada vez menos “Raríssimas”, IPSS’s.

As investigações emperram nos “rabos presos”, por parte de muitos figurões da nossa praça.

Ao atribuir o suplemento especial para idosos, a quem foi penalizado, quando requereu a reforma antecipada, no período negro da “Troika” e depois de uma longa carreira contributiva, o ministro Vieira da Silva, obrigou a que fosse feito o requerimento, daquele subsídio.

O ministério ou a segurança social tem a obrigação de conhecer todas as pessoas que se encontram naquela situação e, caso tenha boa-fé, tornar automática a atribuição do tal suplemento.

Ao não o fazer, o ministro deu uma demonstração de que não é diferente da cambada, que tem espoliado quem mais trabalha e menos recebe, neste país de aproveitadores.

Portugal não é um país pobre, mas um pobre país infestado de vampiros, que comem tudo e não deixam nada.

Um país onde há pão a menos e sossego a mais.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.