Victoria Concordia Crescit

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“Victoria Concordia Crescit”, em Português: a (o) Vitória cresce através da harmonia

O lema não é nosso, na realidade “pedi-o emprestado” ao Arsenal, mas hoje, depois de tudo o que se passou nos últimos meses, depois de tudo o que se passou esta época, achei que era o lema ideal para o Vitória nas próximas épocas (ou pelo menos nos próximos tempos).

Uma lembrança de que o Vitória não é apenas sobre negócios e ganhar dinheiro (sim, isso é extremamente importante e quem assumir a direção do Vitória no próximo triénio terá de focar-se fortemente nesse aspeto, mas não é só sobre isso). Trata-se de um esforço constante no desenvolvimento do futebol, contribuindo e tentando alcançar pessoas diferentes através do futebol. Hoje, o Vitória é conhecido e admirado em todo o país (arrisco-me a dizer mundo) pela unidade dos seus adeptos (é como ter outra família).

Estas eleições podem ter criado danos irreparáveis, podem ter conseguido criar um fosso entre os vitorianos, mas nós já passamos pelo inferno antes e voltamos mais fortalecidos e unidos do que nunca. Desta vez não será diferente.

Hoje espero que estas eleições tenham, acima de tudo, servido para que todos nós pensemos o Vitória de forma ativa e nos tornemos sócios mais esclarecidos e exigentes.

Para aqueles que têm a direção do Vitória nas suas mãos, espero que a concorrência os tenha tornado mais preparados para gerir o nosso clube e que o espírito de superação esteja presente em todos os segundos do seu mandato (e que esse espírito de superação se transfira também para o relvado).

Hoje já não há o Novo Vitória ou o Contigo Vitória, hoje já não há o meu e o teu presidente. Hoje já não há adeptos da bancada e adeptos da tribuna. Hoje somos um só. Hoje há apenas e só o NOSSO VITÓRIA.

No sábado mais de 7 mil pessoas fizeram questão de ir às urnas e votar, mostrando mais uma vez a dimensão deste clube e que não somos mesmo adeptos de vitórias. Somos adeptos do Vitória: exigentes, envolvidos e leais (quanto mais aquela fila aumentava, mais orgulho eu sentia).

O lema do Arsenal tem sido por muito tempo “Victoria Concordia Crescit”, em português, a Vitória vem da harmonia e hoje eu sinto necessidade de o “pedir emprestado” para que, mesmo com todas as feridas de guerra ainda abertas, voltemos a ser aquilo que sempre nos distinguiu de todos os outros, aquilo que muitos aspiraram ser: uma Família unida. Não, não peço que tenhamos todos as mesmas opiniões e que gostemos todos das mesmas coisas, mas peço que coloquemos todas as nossas divergências de parte e lutemos para elevar sempre o Vitória.

O Vitória é algo demasiado especial para que permitamos que umas eleições, maus resultados e uma má época nos destruam. O Vitória é o clube que nos faz sentir borboletas no estômago antes do jogo, o clube que discutimos com o todo o coração, o clube que tanto nos deixa a rir sem parar nas vitórias como nos deixa absolutamente perturbados diante das derrotas. Mesmo não sendo sempre fácil ser adepto do Vitória (e como tem sido difícil esta época), nunca nos passou pela cabeça apoiar qualquer outro clube. Como vitoriana, orgulho-me da nossa lealdade… do apoio constante ao Vitória nos altos e nos baixos (apesar de na última época os baixos terem superado largamente os altos). E, ao mesmo tempo, acho que sempre tive (e continuo a ter) a expectativa de que a lealdade dos adeptos se espelhe também na dedicação e empenho de todos aqueles que dirigem o nosso clube.

Pode ser incrivelmente difícil como vitoriano remover as suas próprias emoções do jogo e da gestão do clube. Uma vez que nos tornamos vitorianos (quer seja à nascença ou algum tempo depois), somos vitorianos para a vida toda e, em última análise, as decisões que a direção toma afetam-nos a todos. Eu acho que a direção do clube tem uma responsabilidade com seus sócios, assim como os sócios têm uma responsabilidade com os a direção e a equipa. Lealdade, transparência e comunicação significam muito para os vitorianos, e precisamos que estes aspetos sejam realmente primordiais neste novo mandato para alcançarmos a tão desejada harmonia e consequentemente a elevação a título definitivo do Vitória ao lugar que lhe pertence.

Neste momento não importa se votaram em A ou B, se acham que o Presidente eleito pelos vitorianos é o Presidente que vocês escolheriam. Neste momento precisamos que que a harmonia entre tribuna e bancada seja restituída para permitir que o clube evolua. Nós, como vitorianos, devemos sempre mostrar o nosso respeito pelo clube e permitir que ele evolua (não nos tornemos nós sócios o entrave para o crescimento deste clube).

Hoje começa uma nova era e para que isto funcione, para que o Vitória se torne efetivamente em tudo aquilo que neste momento existe apenas nas nossas mentes, é mais do que fundamental que não percamos a nossa identidade e que permaneçamos unidos. Porque juntos somos muito mais fortes.

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.