A Juventude não quer saber da política???

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A Juventude não quer saber de nada. Ouvimos estas conclusões vezes sem conta nos mais diversos palcos. Ouvimos na rua, ouvimos nas escolas, ouvimos nas feiras de promoção de escolas profissionais e universidades, ouvimos nas televisões e nas redes sociais.

Parece até que é este o caminho que querem impor aos jovens. Os jovens sempre resistiram, os jovens sempre souberam dizer não, os jovens sempre lutaram pelos seus direitos e cabe aos jovens gritar para que sejam ouvidos.

Os jovens que emigraram e emigram para longe de salários baixos, do desemprego, da desvalorização das suas capacidades, para longe dos trabalhos precários. Os jovens exigem o fim das propinas para que todos tenham direito à educação e à formação durante a vida. Os jovens lutam contra exames que apenas servem para tabelas de ranking injustas e segregadoras.

A propósito do dia Nacional do Estudante, a 24 de Março, os estudantes portugueses relembraram, uma vez mais este ano. Que nem todas as escolas têm aquecimento, nem todas estão livres de amianto, nem todas têm materiais necessários para a aprendizagem como laboratórios ou pavilhões prontos para a prática do desporto. As bibliotecas são pequenas, os computadores não chegam para todos, chove dentro das salas de aula e muitos contentores servem, em 2018, de espaço para a aprendizagem. Nestas condições será alguém capaz de competir com os que estudam em escolas com todas as condições? Será o ensino uma competição ou um direito à formação de cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres?

Quatro dias depois, no dia 28 de Março, os jovens de todo o país celebraram o dia Nacional da Juventude. Numa grande manifestação de jovens trabalhadores, em Lisboa os jovens relembraram a luta pelo fim ao trabalho precário, exigindo que a cada posto de trabalho permanente corresponda um vínculo efectivo, o fim da subcontratação e do aluguer de mão-de-obra.

Os jovens trabalhadores, convocados pela CGTP-IN para a uma manifestação nacional, exigiram o fim dos salários baixos que afectam os jovens trabalhadores no seu dia-a-dia impedindo-os de realizar sonhos, de construírem famílias, de contribuírem para o progresso do país.

Aqueles que teimam em apontar o dedo aos jovens, como os desinteressados pelo desenvolvimento do seu país, assobiam para o lado quando os vêem a sair à rua nestes dois dias para exigirem os direitos que a Constituição da República Portuguesa consagra.

Evocam-se as conquistas da Revolução do 25 de Abril de 1974, tais como, o acesso ao emprego com direitos, valorização dos salários e o fim às discriminações salariais, o direito à habitação, entre muito outros.

A Constituição da República Portuguesa consagra diversos direitos dos trabalhadores sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas como a: correspondência de salário igual para trabalho igual, a organização laboral em condições socialmente dignas, o repouso, o limite máximo do tempo de trabalho, o descanso semanal, as férias periódicas pagas, a assistência material em situações de desemprego, de acidente ou doença e o estabelecimento e actualização dos salários, incluindo o salário mínimo nacional tendo em conta as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida e o desenvolvimento das forças produtivas. Leiam o artigo 59.º da CRP. Está lá tudo.

Assim sendo, parece que ninguém inventou direitos ontem ou hoje, o problema é que alguns teimam em fazer esquecer que estes estão consagrados para a seguir os retirar. Os jovens vão continuar a encabeçar as lutas contra a exploração, os salários miseráveis, os horários desregulados e a relembrar que o desenvolvimento de Portugal só se fará com a sua contribuição.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.