Perseguir é incapacidade de amar, é urgente o amor

As imagens têm sido demasiado violentas para ficarmos em silêncio. É verdade que as guerras foram uma constante na longa história da humanidade. Elas definiram territórios, deslocaram povos, mudaram culturas. Do que elas simbolizam em termos de perda e dor a nossa memória parece só procurar o que está mais próximo ou, nos atinge diretamente,  desta dimensão o ser humano tem uma grande dificuldade em retirar lições. Na guerra não há vencedores são todos perdedores.  É uma verdade que é preciso repetir,  repetir.

Não foi só há sete décadas que assistimos a genocídios, aos atos mais bárbaros e cretinos. Desde essa altura são inúmeros os que têm grassado por esse mundo, enchendo países vizinhos com campos de refugiados onde a fome e a doença fazem parte do quotidiano, onde alguns que quiseram fazer a diferença perdem a vida e são por momentos notícia. A esses dedicamos as nossas lágrimas e a promessa de que nunca os esqueceremos.

Os conflitos na Síria, Palestina, Iémen, Sudão, Afeganistão, Congo e tantos outros… De vez em quando vão ocupando  espaço nos meios de comunicação social, a diferença reside na leviandade com que temas sérios são tratados, logo de seguida são substituídos por um qualquer treinador de futebol ou clube desportivo, que nos merecem respeito, mas nunca tanto protagonismo.

A comunicação social séria e ética já não vende. A violência, o crime, a corrupção entram-nos pelos écrans das televisões e, de vez em quando,  mobilizamo-nos. Para alguns é verdadeira solidariedade e persistem denunciando e agindo. Outros seguem a corrente, aproveitam para se desembaraçar  do que já não querem e voltam a ficar tranquilos com a sensação de dever cumprido.

Os meios cada vez mais rápidos para comunicarmos em tempo real, não estão a ser totalmente usados para coletivamente tomarmos posição sobre este rumo que leva ao sofrimento, ao medo, à destruição. É lá longe, demasiado longe…  Mas, ainda assim conforta-nos ver as ruas e avenidas que se vão enchendo de mutidões que gritam contra a proliferação das armas ou pelos territórios ocupados, demonstrando a incapacidade de negociação e os valores de quem nos dirige, e que, ironicamente arrancam das massas a  sua legitimidade.

Os nossos mares e oceanos, esse mundo fantástico e ilusoriamente ilimitado caminha velozmente para a destruição pela ignorância e egoísmo de muitos, de todos os que acham que não faz diferença mais um saco plástico, ou uma palhinha, que nem usamos, mas está incluída no pacote da comida, também de “plástico” com que calamos as crianças, as mesmas que mais tarde vamos levar ao psicólogo, ao nutricionista, ao ginásio.

O ser humano tem este lado negro, como bem foi referido por alguns especialistas que ouvi recentemente.

Para além deste nosso lado, de animal predador, há um outro lado emocional, de procura de afetos e de equilíbrio emocional, de prazer e de partilha. A esperança de que há um ponto de retorno. É urgente ensinar e treinar a gerir emoções e atitudes, sob pena de continuarmos nesta corrida desenfreada para a destruição deste planeta e da vida que o povoa.

 

Luísa Oliveira, licenciada em Serviço Social , formadora e consultora. Presidente da Cooperativa Desincoop – Desenvolvimento Económico, Social e Cultural, CRL da qual é fundadora, iniciou  a sua intervenção politica como deputada municipal e anos mais tarde como vereadora da Câmara Municipal de Guimarães.