Injecções

A Câmara municipal viu chumbada, por estes dias, uma proposta de aumento de capital, na Taipas Turitermas.

Aquela que foi considerada “refúgio de derrotados”, nas eleições autárquicas, passou a ser uma espécie de junta paralela.

Na verdade, contrariando o que deveria ser o seu papel, aquela instituição pública, exerce a actividade como se de uma empresa privada se tratasse.

Inúmeras foram as denúncias, feitas em sede de assembleias, de freguesia e municipal ou reuniões de câmara, a promiscuidade político-partidária, levadas àqueles órgãos pelos vários partidos.

Seria interessante saber, através de uma auditoria, feita por uma entidade independente, os verdadeiros contornos de contratações, tanto de directores como de profissionais, o papel de cada um e os vencimentos.

Por outro lado, numa tentativa de aparecer e assim disfarçar o verdadeiro objectivo da “empresa”, dita cooperativa, conseguiu promover mais eventos do que a própria junta de freguesia.

Evidentemente que, iniciativas culturais, serão sempre bem-vindas e, mais ainda, quando nos deparamos com uma junta que, à imagem do partido pela qual foi eleita, tem uma clara aversão à cultura.

A Taipas Turitermas ficaria muito melhor na fotografia se, em vez de andar quatro anos a fazer campanha eleitoral, patrocinasse as mesmas iniciativas, através das associações da Vila.

Ainda melhor ficaria se, em vez de praticar preços de concorrência com o mercado, tivesse um papel social, junto das populações mais carenciadas.

Afinal, são as populações que pagam as injecções de capital e seria da mais elementar justiça, que fossem os beneficiários dos serviços prestados.

Para agravar este cenário de promiscuidade, foram denunciadas outras situações, decorrentes noutras instituições, com alegados favorecimentos a familiares e amigos de familiares, dos mesmos.

A par de outros, a câmara municipal arrisca-se a ganhar o título, de maior injectadora de capitais.

Tudo isto seria visível e condenado nas urnas, caso houvesse coragem e objectividade de ver.

O problema é que, na hora da verdade, basta uma “bifana de porco” ou um avental de cozinha, com a agravante de serem pagos pelos próprios, para turvar as ideias dos eleitores.

E lá vai o país, cantando e rindo com pão e circo, alimentando a fantochada política que nos caracteriza.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.