Um ano de muita responsabilidade

Fez esta semana um ano que comecei esta minha colaboração com o Duas Caras. Quero, por isso, dirigir as minhas primeiras palavras à Catarina Castro Abreu para a congratular pelo projeto que criou que permite a Guimarães ter um outro espaço, um outro ponto de vista e uma outra sede de diversidade de opinião, e agradecer-lhe pela oportunidade e responsabilidade que me deu ao convidar-me para aqui opinar.

Aproveito também esta reflexão sobre um ano de escritos nesta “coluna” para refletir sobre o papel dos espaços de opinião nos jornais vimaranenses.

Ao longo do último ano tenho dedicado este espaço às minhas opiniões sobre diversos temas que marcam a agenda política vimaranense. Faço-o numa tentativa de expressar uma opinião pessoal sobre outras opiniões ou factos.

Concorde-se ou não com a minha opinião, o importante para mim é, mais do que agradar a muitos, provocar a discussão em torno de questões sobre as quais reflito e exprimo a minha perspetiva. Mas sempre sobre factos concretos e evidências, ou sobre conjeturas e exercícios de exploração de possibilidades futuras.

O que nunca faço é opinar sobre factos falsos ou partir dessas premissas para opinar. Porque todo o raciocínio que se lhe seguiria estaria inquinado por partir de uma verdade inexistente.

Acontece que nem toda a gente tem a mesma perspetiva sobre esta temática e muitos são os exemplos de quem aproveita os seus espaços de opinião para criarem opinião sobre factos também criados no seio desses textos.

Partir da inexistência de referências ao Rio Ave na Candidatura à Capital Verde Europeia de Guimarães é um dos seus últimos exemplos, com um texto publicado num jornal mensal e digital vimaranense.

Mas mais se lhe podiam juntar, como o facto de Guimarães ser dos últimos municípios a aderir a plataformas de boleia, quando era o 9º em 308, ou exercícios contabilísticos sobre o preço de morar em Guimarães que usam valores disparatados por referência de comparação.

Serve isto, em vésperas de 25 de abril, para dizer que a democracia e a liberdade nos dão muita responsabilidade. De a usarmos e de a defendermos. Quem, por exposição pública, lhe é dada a responsabilidade de ter um espaço de opinião sem direito a contraditório, tem essa responsabilidade reforçada.

Caso contrário, teremos que começar a ter mecanismos de contraponto a serem usados diariamente, sob pena de deixarmos que a propaganda se sobreponha à realidade. E que outros fenómenos “trumpísticos” nos deixem a tremer de medo sobre o futuro do mundo.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.