CVE 2020: passado, presente e futuro

À data que escrevo este texto não sei ainda se Guimarães fará parte da shortlist da Capital Verde Europeia 2020. Tudo indica que o resultado sairá durante o dia da publicação deste artigo.

Independentemente das notícias que o dia de hoje tragam, há dois factos que serão sempre verdade: o importante caminho feito para aqui chegar, onde se incluem as metas traçadas para o futuro, e o caminho que falta para atingir o grande objetivo de ter 100% de ecocidadãos.

Do lado do caminho feito para aqui chegar está o importante trabalho de “estado da arte” feito pela estrutura de missão e as medidas de mitigação entretanto implementadas.
Foi neste percurso que surgiram as ecovias, agora em fase de implementação, ou o PAYT, projeto de recolha que instiga à separação e à redução do desperdício. Foi durante este percurso que surgiram as Brigadas Verdes, que geram proatividade dos cidadãos na defesa do seu território.

Foi sob este desígnio que se construiu a Academia de Ginástica, edifício carbono zero, ou se inaugurou o primeiro autocarro elétrico na linha da cidade.

Foi ao longo dos últimos anos que surgiram projetos como o PEGADAS, o Educabicla, as Ecoescolas ou o EcoParlamento. Foi ao longo dos últimos anos que as hortas pedagógicas foram alargadas ou a Sustentabilidade Ambiental passou a ser um desígnio do Orçamento Participativo.

Independentemente das notícias do dia de hoje, Guimarães já ganhou. Tem mais ecodidadãos e continuará a caminhar para semear aquilo que serão os 100% de “ecovimaranenses” de amanhã.

Do lado do caminho que falta percorrer estão, para além de algumas questões já identificadas pela candidatura como os rios ou a mobilidade, o civismo e a consciência cívica de todos os cidadãos.

A começar nos responsáveis políticos! Se já não regressarei à assumida declaração de guerra de uma eleita do PSD à candidatura, centro-me no papel a que se prestou a JSD local, liderada pelo atual líder parlamentar do maior partido da oposição.

Na sequência de um problema numa conduta da Águas do Norte no Rio Selho, aquela estrutura decidiu deslocar-se até ao local para filmar a ocorrência e cometer dois erros. O primeiro político e o segundo de cidadania.

O político acontece quando a JSD diz que a Câmara tem que assumir as suas responsabilidades. Esqueceu-se foi de dizer que aquele acontecimento não era responsabilidade da Câmara e que, por isso, a declaração era omissa na definição de que responsabilidades havia a apurar. Fizeram-no propositadamente, porque não as havia.

O erro na vertente da cidadania quando ao ato de “show off” não se seguiu a ação consentânea. Após aquela deslocação, e tendo a estrutura dado ao trabalho de ir até lá filmar, reproduzir e publicitar nas redes sociais, deveria ter-se seguido a denuncia à GNR. No fundo, para que a ação de facto batesse certo com a ação de encenação.
Não o fez. E felizmente que àquela hora já a Câmara tinha cumprido com as suas responsabilidades e feito a denúncia. Cumprindo, no fundo, com o seu papel. Assumindo as suas responsabilidades legalmente acometidas.

A JSD preferiu o espetáculo. E denotou que não tem a maturidade cívica nem a consciência ambiental que coincida com as suas ações. Falta-te caminho para a ecocidadania.

Falta a Guimarães cumprir com os 100% de ecocidadãos. Lá iremos!.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.