Da cor do arco-íris

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Guimarães não foi seleccionada para integrar a última lista de candidatas a Capital Verde Europeia. Visto sob o prisma futebolístico, como a direita gosta de fazer, isto foi um descalabro, pois não passamos dos quartos-de-final e, por consequência, não disputaremos a Liga dos Campeões.

Logo que foi conhecida a decisão, vieram imediatamente a terreiro, os que, mesmo tendo assinado o compromisso de apoio à candidatura, manifestar o seu gáudio, relativamente ao insucesso. Em boa verdade, no que à candidatura diz respeito, ninguém, nem mesmo a Câmara, acreditou numa nomeação.

Não se pode querer uma CVE, no meio de uma lixeira, passe o exagero. Há muitos anos que o Bloco de Esquerda vem alertando, para a diferença de políticas ambientais, entre a cidade e as freguesias.

Mesmo tendo assinado o acordo de apoio, não podemos deixar de referir a discrepância existente no concelho.

Como se pode querer uma CVE, com os cursos de água a serem agredidos quase diariamente ou com lixeiras à volta dos contentores, um pouco por todo o concelho?

Não se pode caminhar ou pedalar pelo ambiente e, de seguida, atirar com ferro velho ou garrafas, para dentro dos contentores do lixo doméstico.

Perante tudo isto e ouvindo/lendo as várias vozes do concelho, apetece perguntar se valeu a pena, efectuar a candidatura.

Em minha opinião, valeu! Mais, acho que Guimarães deveria candidatar-se de novo.

No entanto, para ser uma candidatura a sério, deverá mudar de estratégia e adoptar novas políticas ambientais.

Não basta organizar eventos festivos, em nome do ambiente, ficar-se pelas fotografias e deixar-se cair no “ram-ram” do costume.

Sabemos que a culpa não é só da Câmara! A falta de civismo, o crime de abandono e queimadas industriais, continuam por aí.

No entanto, quando o executivo celebra contractos com um dos maiores poluidores do concelho, põe-se a jeito para ser criticado, por toda a oposição.

De todo este processo, não se pode dizer que foi totalmente inútil. Alguma coisa mudou e o reflexo do que se fez, há-de fazer-se sentir com o passar dos tempos.

Estou convencido que, da parte do executivo, dos partidos políticos, das juntas de freguesia e da sociedade em geral, depois de acalmados os ânimos, haverá uma reflexão sobre uma possível mudança de rumo, relativamente às políticas ambientais.

Havendo humildade, reconhecer-se-á que, neste processo de candidatura, houve mais folclore que consciencialização.

Também não havia necessidade de tanto regozijo, por parte da direita, com o fracasso da candidatura.

Afinal, também eles eram parte do processo.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.