Cantigas de Abril

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Aquando da passagem do 30.º aniversário, da morte de Zeca Afonso, o Bloco de Esquerda propôs à Câmara de Guimarães, através de uma moção apresentada na Assembleia Municipal, que homenageasse o autor/cantor das mais belas canções de intervenção.

Não se fez, como recomendava a moção, em 2017 mas valeu a pena esperar por 2018.

O programa apresentado surpreendeu pela positiva e, durante os dias que vão de 25 de Abril ao 1.º de Maio, vemos, ouvimos e lemos Zeca Afonso, através de várias associações, que se prontificaram a recordar o “Andarilho da Revolução”.

Podemos dizer que Zeca Afonso é de todos e de ninguém!

As letras que criou são cantadas e declamadas, de norte a sul do país e além-fronteiras, fazendo com que, em cada recanto da “Vila Morena”, se dê continuidade à “Revolução dos Cravos”.

Muitos cantores deram voz, ao desespero de um povo amordaçado, faminto e analfabeto que via partir, com impotência, os filhos a caminho de uma guerra estúpida, contra povos que, subjugados durante séculos, só queriam ser donos do próprio destino.

Vozes que ecoavam por cima das casas, transmitindo a mensagem de milhares de homens bons que, pelo facto de querem, para si e para os seus, a liberdade negada ao longo de tantos anos, eram encarcerados, torturados e desterrados durante anos a fio, pela prepotência de ditadores e seus caciques.

À medida que foi tomando consciência da situação, Zeca Afonso escrevia e cantava uma mensagem.

Exaltou todo o tipo de trabalhadores, denunciou “Vampiros”, condenações injustas e oportunas para o regime, disse que muitos soldados não voltariam da guerra, aconselhou mudança de rumo, para um país “orgulhosamente só”.

A obra de Zeca Afonso contribuiu para o derrube da ditadura. Teve e continua a ter, um papel importantíssimo na libertação do povo e na consolidação da democracia em Portugal.

Parabéns à Câmara Municipal e a todas as associações que, de uma forma desprendida e voluntariosa, deram corpo a uma homenagem, há muito merecida e à altura do poeta do povo.

Para que, a homenagem a “Zeca Afonso e a sua obra”, seja completa, sugeria que fosse atribuído o seu nome, ao auditório na Plataforma das artes, conhecida por “Black Box”.

Pela continuação de Abril!

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.