A mudança está na acção!

Nos últimos dias a informação sobre a Candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia parece que caiu dos céus aos trambolhões.

O Executivo camarário da noite para o dia quis arrumar com a questão e “toca de enviar” o relatório da avaliação da candidatura antes mesmo de enviar a própria candidatura. Sim, caros leitores, voltamos ao mesmo.

Porque a CDU que sempre acompanhou o processo, que fez propostas, que esteve atenta, que fez questão de estar presente em muitas das iniciativas e que se comprometeu no consenso político exige que todo o processo seja revisto e que se façam alterações necessárias ao “caminho”.

É, sobretudo, necessário humildade, é necessário aceitarem os erros para que se faça o caminho com todos os passos bem seguros. Se Guimarães se vai propor de novo ao título é necessário que o executivo se comprometa com um trabalho mais concreto para o ambiente e para todos os vimaranenses.

A CDU esteve nas reuniões da Comissão Consultiva da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia, onde a perguntou sobre o motivo da falta de referência aos animais errantes, onde a CDU perguntou sobre a classificação da montanha da Penha que não tinha a concordância da Irmandade da Penha, onde questionou a referência tão curta às linhas de água e à sua despoluição, onde a CDU apontou a falta de relação da realidade com o que estava exposto na candidatura relativamente aos transportes públicos.

Lugar onde a CDU questionou quando teríamos acesso à candidatura e porque ainda não estava traduzida para português.

A candidatura foi entregue em Bruxelas no dia 25 de Setembro de 2017.

Na Assembleia Municipal de 23 de Fevereiro de 2018 na análise da Actividade da Câmara a CDU disse:
“Senhor presidente, hoje começo pela menina dos seus olhos a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia continua a ser isso mesmo a menina dos seus olhos porque ainda não foi apresentada à população. Sabemos que está a ser apresentada em escolas, foi apresentada a algumas empresas, mas os mais interessados, ou seja, toda a população continua sem saber muito bem o que é a Capital Verde Europeia e que compromissos assumiram com a União Europeia para que possamos ser merecedores de tal título. E peço-lhe que me permita citá-lo, senhor presidente, «todos temos de estar envolvidos, porque este é o caminho certo.»”

Na reunião do passado dia 27 Abril voltamos a questionar e tal como em Fevereiro o senhor presidente referiu que o seu compromisso seria o lançamento de um livro com a candidatura. No domingo, dia 29 de Abril, às 20h qual não é o nosso espanto recebemos a candidatura na caixa de correio electrónica e verificamos que passados poucos minutos a candidatura se encontrava também disponível no sitio da Câmara e é de sublinhar a frase que acompanha um e outro:

“em anexo, a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020, conforme meu compromisso.”

O compromisso do senhor presidente foi sempre o da edição de um livro, que esperamos nós seja gratuito para toda a população, no domingo passado o compromisso com toda a população vimaranense, depois de muita insistência da CDU, passou a ser o de difundir a candidatura, mas em inglês.

Com uma Estrutura de Missão tão grande com o envolvimento de instituições tão importantes, como a Universidade do Minho, com os gastos avultados que todo este processo exigiu passados 8 meses ainda não conseguiram fazer a tradução da candidatura para Português, a nossa língua?

No entanto todas estas questões e muitas outras vão voltar a ser discutidas na comissão, recentemente criada, de acompanhamento da Candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020. Veio tarde e a más horas, mas vem a tempo de se recomeçar o caminho com o objectivo central de se melhorar a qualidade de vida dos vimaranenses.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.