Esperando Abril

Pela 44ª vez celebraram-se, o 25 de Abril e o 1º de Maio que, como vem sendo hábito, se realizou em Guimarães a nível distrital.

Cantou-se a “Grândola, Vila Morena” em variadíssimos locais, oficiais, associativos e partidários, desde a Assembleia da República até sessões de pequenas freguesias.

Foi e continuará a ser um período que, tanto a festa de Liberdade como a do trabalhador, marcará a vida dos Portugueses.

No entanto, os sinais que nos vão chegando, principalmente do centro e leste da Europa, trazem-nos motivos de preocupação.

O avanço dos movimentos nacionalistas, que tentam disfarçar a sua índole neofascista e nazi, juntamente com o conhecimento do tamanho do “polvo” da corrupção, faz-nos temer um regresso ao passado, cada vez mais descaradamente cantado, também pela extrema-direita portuguesa.

Ao longo dos anos de suposta liberdade e democracia, foi-se descobrindo o modo como se adaptaram à nova realidade, os donos disto tudo.

Formaram o “arco do poder”, legislaram para si e para os seus representados, com benesses, desvios e influências escandalosas ou seja, construíram o tal polvo, cujos tentáculos tem uma dimensão assustadora.

A segurança social, uma “vaca de muitas tetas”, é ardilosamente sugada por entidades que, não sendo públicas, apresentam-se como tal e servem interesses particulares.

Aos poucos, mesmo com o travão da imprensa, habilidosamente monopolizada pelo poder real, vai-se descobrindo a promiscuidade entre alguns políticos (futuros administradores) e as santas casas, instituições particulares, banqueiros e grupos empresariais, a quem se venderam, por tuta e meia, as melhores empresas do país.

O Serviço Nacional de Saúde está a ser minado e, não havendo quem lhe deite a mão, implodirá a breve trecho.

Numa louvável iniciativa de medicina preventiva, para a qual se fazem milhões de exames e análises, não se compreende que se tenha entregado, essa responsabilidade, a laboratórios privados que, a partir de determinada altura, cresceram como cogumelos, assim como clínicas e hospitais.

Paralelamente, sempre no intuito de disfarçar a besta que nos suga, criam-se circos de toda a espécie, armam-se rivalidades populares, alimentam-se locais de cultos variados.

Para que, um dia, deixemos de ouvir quem, depois de uma vida a trabalhar, recebe 300/400€ de reforma, “graças a deus que tenho este”, aguardemos que aconteça Abril.

Abril é, tem de ser, o caminho para a felicidade universal.

 

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.