Para João Sousa, o melhor ainda pode estar para vir

Recebido esta terça-feira no salão nobre da Câmara, o número um do ténis português ambiciona superar o seu melhor registo no circuito mundial – o 28.º lugar, atingido há dois anos. Grato pelo carinho de todos os portugueses, e em especial dos vimaranenses, João Sousa já tem nova homenagem prometida: vai receber, a 24 de junho, a Medalha de Mérito Desportvo – Grau Ouro.

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João Sousa já caminha lado a lado com o sucesso e com o reconhecimento quer da cidade que o viu nascer há 29 anos e partir para Barcelona há 14, quer do resto do país há, pelo menos, cinco anos.

Em 2013, quando era ainda um nome emergente no circuito ATP, foi homenageado no Salão Nobre da Câmara pela primeira vitória em provas ATP 250 – venceu, em setembro, o torneio de Kuala Lumpur, após derrotar, na final, o francês Julien Benneteau (2-6, 7-5 e 6-4). Cinco anos depois, regressou àquele espaço dos paços do concelho para celebrar, em casa, aquele que já descreveu como o “melhor título na carreira”: a primeira vitória de um português no maior torneio organizado no país, o Estoril Open.

Depois de um torneio em crescendo, onde bateu o russo Daniil Medvedev (7-6 e 7-5), o compatriota Pedro Sousa (4-6, 7-6 e 7-5), o britânico Kyle Edmund (6-3, 1-6 e 6-0) e o grego Stefanos Tsitipas (6-4, 1-6 e 7-6) até, na final de domingo, levar a melhor sobre o norte-americano, de 20 anos, Frances Tiafoe (6-4 e 6-4), João Sousa fixou-se no 48.º lugar da hierarquia mundial, após trepar 20 posições.

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Mas o “conquistador”, tal como é conhecido nos ‘courts’, quer mais e acredita que ainda pode ultrapassar a melhor marca nacional de sempre (28.º lugar), atingida por si a 16 de maio de 2016, quando chegou aos quartos de final do Masters 1.000 de Madrid. “É um objetivo que temos em mente, sem dúvida. Não vou negá-lo. Há muito trabalho a fazer. Ser perseverante é muito importante”, disse. O tenista considerou, porém, que para escalar mais posições na hierarquia, precisa ainda de ser melhor jogador para poder alcançar o seu melhor ténis.

Em Cascais, João Sousa alcançou a terceira vitória em 10 finais já disputadas nas provas ATP 250, depois de Kuala Lumpur (Malásia) e de Valência (Espanha), mas este título acabou por ser o primeiro em terra batida – o vimaranense perdera as quatro finais que disputara nesse piso, em Bastad (Suécia), em 2014, em Genebra (Suíça), em 2015, em Umag (Croácia), em 2015, e em Kitzbuhel (Áustria), no ano passado.

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O próximo compromisso, o Masters 1.000 de Roma – em terra batida, também – está agendado já para a próxima semana, e João Sousa disse estar preparado para fazer um “bom torneio”, embora sem apontar qualquer fasquia a nível de resultado.

Depois de um torneio no Estoril, em que se sentiu sempre bem fisicamente e mentalmente e e diz ter ficado emocionado com o carinho que o público lhe prestou, o melhor português de sempre também aproveitou a cerimónia para afirmar o orgulho na “cidade do coração” e a gratidão pelo “carinho especial” dos conterrâneos.

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Medalha de mérito desportivo a 24 de junho

Aos títulos que já conquistou a viajar de ‘court’ em ‘court’ pelo mundo fora, em Challengers ou torneios do circuito principal ATP, João Sousa vai poder juntar a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro, a 24 de junho. O presidente da Câmara, Domingos Bragança, afirmou, durante a homenagem, que o melhor tenista nacional é um “senhor vimaranense conhecido em Portugal e no mundo” e merece ser galardoado pelos “atributos desportivos e também humanos”.

“Guimarães terá que homenagear o João Sousa. E o melhor modo de homenagear o João Sousa é no dia 24 de junho, dia de celebração de Guimarães e do ‘dia um’ de Portugal. É ser-lhe atribuída a Medalha de Mérito Desportivo – Grau Ouro”, disse.

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Para o presidente da Câmara, o atleta chegou onde chegou graças “à tenacidade, à ousadia, ao muito trabalho e ao talento”, tendo já garantido um “contributo decisivo” para o ténis português. Mas o impacto dos feitos de Sousa, disse o autarca, também se sente a nível local, fazendo com que o ténis em Guimarães possa nunca mais ser o mesmo desde o seu aparecimento.

“O contributo do João Sousa para esta modalidade desportiva para que muitos jovens pratiquem esta modalidade. O ténis será sempre o João Sousa. Queres ser como o João Sousa? Queres ser campeão como ele? O ténis é tão importante em Guimarães, porque temos aqui o campeão e referência mundial”, considerou.

Também presente na cerimónia, o vereador do desporto, Ricardo Costa, realçou que a vitória no Estoril Open foi o resultado do talento, mas sobretudo do “muito trabalho e do espírito de sacrifício” de João Sousa. Já o presidente da Assembleia Municipal, José João Torrinha, realçou que, além do “enorme prazer de ver um português a concorrer com os melhores do mundo, é possível juntar ainda um sonho maior de ver um vimaranense” a fazê-lo.

Texto e Fotos: Tiago Mendes Dias