Guimarães já está mais verde

Guimarães não será Capital Verde em 2020. O resultado da “shortlist” das cidades finalistas ao prémio deixou a nossa Cidade a dois lugares da última fase. Mas este é um um resultado que dá esperança e confiança no futuro e a garantia que o caminho seguido é o caminho certo.

Muitas análises se seguiram a este resultado. Da parte da oposição política em Guimarães há dois tipos de atitudes distintas que importa separar.

À esquerda, uma análise – ainda que pessimista – séria dos resultados, com sugestões de melhoria e acrescento ao trabalho já efetuado até agora. Conscientes da importância do desígnio da sustentabilidade ambiental, cumprem o papel de oposição e focam-se na análise dos aspetos em que há caminho a trilhar, seja do ponto de vista da demonstração de resultados, seja na alteração factual das políticas públicas.

À direita, há fogo de vista e o cair de máscara de um consenso político que nunca o foi de facto, numa prática há muito conhecida. Se corre bem, o PSD até pensou nisso primeiro, se corre mal a culpa é da Câmara e tinham avisado. Não esqueceremos as piruetas no posicionamento perante a Capital Europeia da Cultura, ora arautos da desgraça, ora adversários dos equipamentos culturais, ora orgulhosos dos vimaranenses pelo que concretizaram.

Depois de duas intervenções públicas que já referi neste espaço (de uma eleita do PSD em Caldelas, e da JSD Guimarães através de um irresponsável vídeo) em que ficou absolutamente clara a falta de maturidade cívica e de compromisso com a candidatura, juntou-se um comunicado da estrutura jovem em que mais de metade dos argumentos são um ataque à minha pessoa, e uma declaração da estrutura sénior focada em parte em algumas questões menores.

Desde logo a questão da nomenclatura “finalista” usada em alguns suportes de comunicação do Município. Prontamente esclarecida por Domingos Bragança em reunião de Câmara através da apresentação de um email da Comissão Europeia onde se podia ler que Guimarães era uma das 13 finalistas do concurso.

Mais do que isso, a estrutura local do PSD aponta agora o desígnio da sustentabilidade ambiental depois de um programa eleitoral sustentado em obras que rasgam a cidade e a montanha, com clara prioridade ao uso de transporte particular, e à prioridade ao setor económico mais tradicional.

Uma coisa é já clara para todos: a prioridade definida em 2013 por Domingos Bragança está hoje no centro da agenda política vimaranense por responsabilidade do Presidente da Câmara de Guimarães. E isso já ninguém lhe tira. Guimarães está hoje mais verde e mais preocupado com a sustentabilidade ambiental do Planeta.

Quem também reforça esta ideia é o relatório técnico da candidatura. E a análise vem clara no Press Release municipal: “Guimarães foi a segunda melhor cidade nas áreas de indicador “Alterações climáticas: adaptação”, “Natureza e Biodiversidade”, “Perfomance energética” e “Governança” e foi a terceira melhor cidade no “Ruído”. Em relação às cidades que foram “shortlisted”, Guimarães ficou próxima nos seguintes indicadores: “Alterações climáticas: mitigação” (à frente de Lathi), “Qualidade do ar” (à frente de Lisboa), “Crescimento verde e eco-inovação” (a seguir a Ghent). Com menor desempenho, registe-se a 6ª posição na área “Resíduos”, a 8ª posição na “Mobilidade sustentável” e a 11ª posição no “Uso sustentável do Solo” e “Água”.”

A acrescer a esta análise mais superficial dos dados está a noção de que em alguns indicadores há aspetos francamente positivos que com mais demonstração em sede de documento de candidatura nos podem garantir, de futuro, uma melhor avaliação.

A acrescer a ambos os aspetos estão as boas notícias que vão chegando nos últimos anos. Os prémios recebidos pelo PAY-T ou pela garrafa de água da Vimágua, a notícia de que Guimarães tem o ar mais respirável do país ou o exemplo das práticas das bacias de retenção das Hortas ou das Brigadas Verdes.

Já ninguém terá dúvidas genuínas de que Guimarães está mais Verde. Todos estamos conscientes, também, de que há muito caminho pelo frente. Não para atingir o título, mas para atingir o objetivo de Domingos Bragança: 100% de ecocidadãos vimaranenses.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.