Contentores há?

A recolha do lixo doméstico foi sempre uma questão pouco consensual. Pode não ser fácil recolher o lixo doméstico diariamente num concelho tão grande, mas também não se poder exigir dos vimaranenses que guardem o lixo doméstico em suas casas por muitos dias.

Principalmente, quando as casas são pequenas, se vive em apartamentos ou ainda não se adoptaram práticas de diminuição do lixo produzido.

Principalmente, quando nos continuam a impôr embalagens exageradas que não servem para nada, senão para produzirmos resíduos que se irão transformar num problema para várias gerações.

Por isso, continua a ser uma questão por resolver, como recolher os resíduos de forma a agradar a todos e com o mínimo de gastos possíveis. Se nos habituamos a que, em algumas zonas do concelho de Guimarães, o lixo seja recolhido diariamente, noutras zonas mais afastadas essa recolha acontece apenas duas ou três vezes por semana.

No que diz respeito ao Centro Histórico, com o novo sistema, a recolha é feita várias vezes ao dia, apesar do sistema prometer ser mais barato para aqueles que forem capazes de reduzir o lixo que produzem.

Há ainda muitas as ruas do concelho de Guimarães em que o lixo é recolhido porta a porta, os sacos são colocados no chão, porque não existem contentores suficientes para se colocarem os sacos. Não existem contentores a distâncias aceitáveis para que as pessoas possam colocar os seus resíduos sem se preocuparem com o dia da recolha, porque colocam os sacos num lugar seguro, longe dos animais errantes, que os rasgam à procura de comida, acabando por espalhar o lixo doméstico pelas ruas do concelho.

Infelizmente, ao invés de um caminho definido e com o envolvimento da comunidade para que se perceba quais as reais necessidades e para que se trabalhe na alteração de comportamentos, o executivo camarário escolhe caminhos fáceis que, admitindo que atinjam prémios pela criatividade, contudo não são práticos nem usados por todos.
Não é através da ameaça, inclusive sem fundamento, que se alcançará o sucesso dos projectos.

A Vitrus colocou nas caixas de correio, de alguns vimaranenses, um documento que pretende, ao que se percebe, gerar comportamentos adequados na recolha de lixo. Ameaçando que os sacos colocados na rua e não dentro dos contentores não serão recolhidos pela empresa responsável.

No entanto, não é o comportamento individual que está em causa. Não é porque os habitantes de Guimarães colocam o lixo em sacos plásticos às suas portas que a cidade está mais ou menos suja. O problema, como têm vindo a revelar muitas denúncias que são feitas por parte de alguns vimaranenses, sobretudo os que vivem em freguesias mais afastadas do centro da cidade, é que, não só não vêm o seu lixo doméstico recolhido diariamente ou nos dias marcados, como também não existem contentores suficientes para que a população possa colocar o seu lixo, mesmo que de dois em dois dias, num espaço protegido e reservado.

A ausência de contentores em diversas ruas e mesmo a ausência de ecopontos foi muitas vezes denunciada nos locais próprios pela oposição. Quando se fazem campanhas de educação intensas sobre a importância da Reciclagem, por exemplo, não se percebe como querem que os cidadãos vimaranenses mais jovens e as suas famílias criem hábitos de reciclagem quando não têm à sua disposição as estruturas necessárias.

Os comportamentos individuais necessitam sobretudo de opções políticas sérias e não de propaganda para encher jornais locais de títulos gordos e bonitos. Precisamos de mais, e mais é trabalhar para o conforto da população nos seus comportamentos e nas suas necessidades diários. Só oferecendo opções diversas podemos atingir comportamentos que sirvam e protejam um concelho que é de todos.

Em vez da ameaça da não recolha, será necessário financiar mais contentores para que possam servir toda a população. Em vez de ameaças de multas, de possíveis ruas cheias de sacos de lixo não recolhido e sujas, sem que ninguém responsável as queira limpar, o poder político deveria trabalhar no incentivo de comportamentos ambientalmente correctos.

Parece não quererem aprender nada com as críticas, as sugestões e os alertas. Este continua a não ser o caminho.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.