Por que admiro tanto o tenista João Sousa?

Hoje, poucos dias após um brilhante feito desportivo, rendo-me, mais uma vez, às capacidades do tenista Vimaranense João Sousa, finalmente muito mediatizado pela vitória alcançada no mais importante torneio de ténis que se realiza em Portugal. João Sousa é o primeiro português que o conseguiu, quebrando a malapata que, por várias razões, não lhe permitiu, nas prestações de torneios anteriores, exibir todo o potencial que os especialistas lhe reconhecem.
Conheci o João ainda muito jovem, teria sete anos, no Clube de Ténis de Guimarães, onde deu os primeiros passos na modalidade desportiva que abraçou. Como morava perto das instalações do Clube, convivi com o seu presidente, com o pai do João, também ele tenista, e com outros dinamizadores daquela estrutura desportiva, então, embrionária. Os incentivos não lhe faltaram durante o tempo que ali treinou com afinco. Aos treze anos, adivinhando-se-lhe as capacidades, ainda em potência, passou a treinar na Maia, duas vezes por semana, com todo sacrifício que tal impunha. Um ano depois, os conhecedores da modalidade que o acompanhavam decidiram, com os seus progenitores que, para termos o tenista que hoje é o nosso orgulho, urgia desenvolver as suas competências noutras paragens, onde só os eleitos demonstram todo o seu potencial.
A família que, como todas, queria o melhor para o seu filho, e que acreditava nas suas qualidades, assumiu o desafio com coragem, mas também com aperto no coração. O João tinha de partir, deixando o aconchego familiar com tudo o que tal representa, sobretudo quando se tem catorze anos, período definidor de muitos sonhos que os jovens mais afoitos alimentam. Partiu, então, para Barcelona, arrostando com as dificuldades de alguém que deixa a família e os amigos, a cidade e o país, sentindo a falta dos seus e do meio que o viu nascer e crescer, como jovem e como atleta.
Para alcançar o êxito que hoje já lhe sorri, era fundamental que a dura etapa a que se entregara fosse bem-sucedida. Foi neste período tão complexo que o João adquiriu resiliência psicológica, desenvolveu mais e melhor a sua aptidão desportiva e a garra que só um campeão possui para vencer em situações adversas. Para atingir o nível desportivo que hoje exibe foi importantíssima a tenacidade que foi revelando, transpondo os obstáculos que um verdadeiro campeão, dia a dia, sempre encontrará no seu percurso de vida.
A vitória no Open do Estoril deu-lhe uma visibilidade extraordinária junto do grande público, mas não é despiciendo lembrar o curriculum desportivo que o João já conquistou. Já foi o 28º tenista do ranking ATP. Foi campeão nacional absoluto em 2017. Está há cinco anos no Top 100 do ténis mundial. Defendeu várias vezes as cores nacionais na Taça Davis. Entre muitos outros feitos desportivos, João Sousa ganhou também dois torneios internacionais de categoria igual à do Estoril Open.
A sua persistência levou-o a uma promissora carreira desportiva que apaixona os amantes da modalidade que pratica, orgulhosos da sua dimensão como tenista. É uma referência para tantos jovens praticantes que se rendem à força física e mental que dele emana, quando se entrega a uma contagiante partida de ténis, particularmente arrebatadora.
No final da vitória obtida no Open do Estoril, um especialista confessava-me que serão precisas mais duas ou três gerações para, em Portugal, aparecer um tenista com as capacidades que o João Sousa já exibe.
Guimarães, sempre propensa a admirar os seus desportistas de eleição, tem neste nosso jovem um exemplo de que todos nos orgulhamos. Devemos-lhe um agradecimento e o aplauso pelas alegrias com que nos tem presenteado, com tantas vitórias nos quatro cantos do mundo. A sua prestação honra-o e aos seus, enaltece a sua terra natal, o país que representa e também o maior símbolo desportivo de Guimarães, o Vitória, cuja bandeira, sempre que pode, ostenta com paixão.
Que o nosso aplauso seja mais um estímulo na senda de outras vitórias!

António Magalhães, 72 anos, foi presidente da Assembleia Municipal de Guimarães no mandato 2013-2017. Liderou a Câmara Municipal de Guimarães entre 1990 e 2013, sempre eleito pelas listas do PS, e foi ainda deputado à Assembleia da República entre 1976 e 1987, pelo mesmo partido. Atualmente, é também membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA).