Os Estados Unidos e a Coreia do Norte, Israel e a Palestina, a Espanha e a Catalunha

O mundo dos nossos dias fervilha numa constante ebulição perturbadora e perigosa. Os acontecimentos recentes podem não estar no centro das nossas preocupações, porque somos periféricos relativamente aos grandes centros de decisão. Todavia, no mundo global em que coabitamos algo há-de mexer com as nossas vidas. Alguns dos conflitos latentes que agora parecem fenecer num determinado ponto do globo, logo são ateados num qualquer outro local do planeta.

Estas alterações, agora temporalmente mais frequentes, terão origem num desequilíbrio global da era Trump. Numa lógica muito própria, sobretudo nas relações internacionais, indiferente às suas consequências, Trump parece agora ganhar alguns pleitos que uma diplomacia mais responsável não conseguiu resolver. As relações dos Estados Unidos e a Coreia do Norte são disso um exemplo, se não o único, muito raro, na política internacional. É óbvio que a sensatez impõe-nos que aguardemos o evoluir da situação para melhor percebermos o que daí resultará. Todavia, numa leitura casuística do que está a acontecer, o inesperado relacionamento entre estes dois países permite-nos vislumbrar um estranho aproximar de posições.

A China, país tutelar da Coreia do Norte, quando pressentiu a instabilidade a forjar-se na parte do globo que controla, assumiu o seu papel com a eficácia que o mundo lhe reconhece. As reuniões com o líder Norte Coreano visaram, certamente, atenuar e, talvez, até pôr fim a um conflito latente perturbador da paz naquela região, algo que não era expectável há apenas dois meses.
Aparentemente resolvido este conflito, os Estados Unidos decidem dar corpo a uma das promessas do seu líder, sediando a sua embaixada de Israel em Jerusalém e, mais, reconhecendo esta cidade como capital daquele país.

Jerusalém tem um simbolismo profundamente enraizado nas três religiões monoteístas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – para as quais é tida como o modelo imaginário da felicidade suprema. Esta simbologia religiosa era também considerada espacialmente, definindo-se a localização de cada culto, realidade respeitada pela comunidade internacional. Percebendo a provocação da transferência da embaixada Americana e, particularmente, a designação de Jerusalém como capital de Israel, a larga maioria dos países não se fez representar na cerimónia inaugural da mesma. O banho de sangue de jovens Palestinianos com que Trump batizou uma das suas “birras”, e a consequente perturbação que causou em todo o mundo Árabe, e também na Europa, são o resultado da sua “ingénua” teoria para conseguir a paz que, afinal, conduziu à guerra.

O Jihadismo tem mais um novo argumento, como se dele precisasse, para, com os seus habituais métodos de retaliação, justificar os atentados que vão espalhando o terror em várias regiões do globo. Vamos aguardar para ver as consequências de tão inopinada bizarria – aliada ao fim do acordo nuclear com o Irão- para aferir os resultados da ação de um líder que persiste em cultivar a instabilidade como prática política.

Um outro acontecimento semi adormecido na sua evolução política diz respeito à Catalunha. Durante cinco longos meses, o governo Espanhol não foi capaz de encontrar uma solução para a situação que atormenta o país vizinho. Tem-lhe faltado argúcia política para superar um problema que é de facto complexo. “Jogou” no cansaço dos independentistas, o que não resultou. E sofreu um sério revés quando a Alemanha não extraditou Puigdemont.

Desde ontem o Parlamento Catalão elegeu o chefe do governo autonómico, que no seu discurso de tomada de posse se mostrou mais radical do que o seu mentor. Demonstrou que não era um títere às ordens de Puigdemont, como o designaram. Antes assumiu perante os parlamentares Catalães que ocupa o seu cargo transitoriamente, até que aquele que os independentistas elegeram como líder possa voltar. Mostrou coragem na intervenção que fez ao consolidar o propósito de governar para alcançar uma Catalunha independente.

Adivinham-se de novo convulsões entre o Reino de Madrid e o governo autónomo da Catalunha. Agudizou-se uma situação política difícil e embaraçosa para alcançar a paz, que urge repor na região Catalã.

A instabilidade da situação política internacional, como o quotidiano o demonstra, é geradora de uma quase permanente insegurança e de angústia para os povos.