Parabéns Cineclube!

O Cineclube de Guimarães completou, na última semana, 60 anos de vida. Esta é uma associação singular no panorama denso e enérgico do “Movimento Associativo” vimaranense. Expressão que o Presidente daquela associação, Carlos Mesquita, prefere substituir por Associações em Movimento.

Falar do Cineclube, de forma pessoal, é obrigar-me a uma viagem ao longo de grande parte da minha vida. Aos domingos à noite da minha relação oscilante com a associação, que se iniciou muito jovem mas que foi interrompida pela universidade e pelo trabalho.

Para além desta relação, foi ali, primeiro na Universidade e hoje em dia no Vila Flor, que moldei a minha interação com o cinema. Despertei para alguns dos meus atores ou realizadores de eleição, vi muitos dos filmes que mais me marcaram, explorei uma relação aprofundada com alguma música que acompanha a imagem e passei a olhar para qualquer filme para lá da sua história ou efeitos especiais. A fotografia, realização ou aspeto estético passaram a ser fundamentais na análise de qualquer obra.

Mas falar do Cineclube é, essencialmente, falar sobre uma das mais – senão mesmo a mais –  representativas associações culturais vimaranenses. Pela sua dinâmica e programação regular, pelos seus ciclos de cinema ou pelos cursos de fotografia, ou pela sua capacidade de ter entre os seus sócios e órgãos dirigentes representantes de muitas das outras associações de relevo da cultura vimaranense.

Completar 60 anos com a capacidade de acompanhar as alterações constantes no que toca ao cinema, à sua comercialização, distribuição e novas formas de transmissão, mantendo uma vitalidade ainda assinalável, é de facto algo que, mais do que as congratulações de um seu sócio, merece o agradecimento de qualquer vimaranense.

O Cineclube de Guimarães e os seus vários dirigentes, ao longo das últimas décadas, são responsáveis por várias páginas de sucesso da história das políticas culturais em Guimarães. Com a companhia de muitos que se lhe juntaram, mas com a perseverança de quem o faz militantemente desde o tempo em que não era evidente para todos a necessidade de dar novos mundos ao mundo através das artes.

Ao Cineclube associamos o Teatro Jordão, o Auditório da Universidade do Minho, o São Mamede e o Centro Cultural de Vila Flor como casas. Cinema nas principais salas vimaranenses ao longo dos anos. Mas associamos também o cinema levado até às freguesias, há muitos anos atrás por uma história que apenas conheço contada, mas também nos dias que correm num trabalho de parceria de programação de cinema na rede Excentricidade.

Ao Cineclube, mais do que salas, filmes ou dirigentes, associamos Guimarães. Em duas histórias que são indissociáveis e na qual se quisermos fazer o exercício de medir qual cresceu mais com a outra, a Cidade saiu a ganhar.

Longa vida ao Cineclube. Parabéns e Obrigado!

 

 

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.