Viver e morrer com dignidade

Por estes dias, na Assembleia da República, discute-se a despenalização da morte assistida ou seja a eutanásia, que dará a todos os cidadãos, o direito a morrer com dignidade.

O consenso, relativamente ao tema, não será fácil, tendo em conta o tipo de sociedade que temos.

Como sempre, quando aparecem propostas deste género, que mexem com preconceitos, as reacções tendem a extremar-se.

A direita, especialmente a mais extremista, apanhada em contrapé, saltou para o terreno com reacções atabalhoadas, sem saber muito bem que argumentos utilizar, uma vez que o importante era estar contra.

A atrapalhação é tal que apareceram cartazes a dizer: “a eutanásia mata” ou “Auto suicídio (!?) não, obrigado”.

Ultrapassada aquela fase, começaram a aparecer argumentos mais elaborados, mesmo assim com pouca consistência.

“Achamos que é muito melhor apostar nos cuidados continuados”, dizem os superconservadores, lá de Lisboa, logo secundados por outros a nível local.

E o que tem uma coisa a ver com a outra? Contrapõem os promotores das várias propostas.

Mais uma vez, as facções mais conservadoras, não compreendem que se trata de liberdade e, provavelmente necessitam de aprender o que é essa coisa estranha que, em determinado momento da nossa história, entrou nas nossas vidas e veio para ficar.

Pela enésima vez, a direita mostra que não está preparada, para as mudanças que se vão implementando em Portugal.

Não compreendem que, uma mulher tenha o direito de interromper uma gravidez indesejada; que cada cidadão possa ter a sua orientação sexual; que cada cidadão possa casar com quem muito bem entender, enfim, não aceitam o conceito de Liberdade, Dignidade, Democracia.

A votação está para os próximos dias e só nos resta esperar que haja bom senso, que os senhores deputados não se deixem influenciar, principalmente por aqueles que, ao longo de séculos, se consideraram donos da vida dos outros.

Este será mais um passo para dignificação do ser humano, tanto na vida como na morte.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.