#lifeonabike

– Qué buscas con el ciclismo?

Tau! A pergunta saiu assim, à mesa, e fez-se um silêncio que denunciou a expectativa daqueles cinco por  uma resposta na ponta da língua!

– Busco la felicidad! Busco hacer y ser lo mejor de mi…
– Para eso tienes la vida no necesitas montar en bici!
– Eso es! La bici es (mi) metáfora de vida!
– Pienso que te equivocas. Hay otras formas de encontrar la felicidad y de ser mejor.
– I need the bike. That’s my way! The competition is the mean I found to keep in action, going forward, finding the New and the Now, no routines, challenges, superación… – e naquele momento misturava os idiomas ainda que não haja signos nem símbolos para o que me faz mergulhar, de cabeça, em apneia quantas provas, no ciclismo. Acho que a linguagem corporal deve de ter sido expressiva o bastante para se ouvir um “ya te entiendo. No comprendo pero respecto”.

No amor há tanto de racional como de espiritual, tanto de afetivo quanto de conhecimento. Eu amo, agora, aquilo que faço: este #lifeforabike para que tenha condições para o tal #lifeonabike que o público vê.

Mas a conversa daquela véspera de etapa do Portugal Tour MTB ficou a latejar no pensamento; havia algo que já tinha lido, além do mais na língua do Padrones, que me ajudaria a rematar com distinção o tópico – como diz o Bruno, “Ela não gosta de perder nem a frijoles” e eu sentia que o assunto não tinha ficado bem resolvido (pelo menos não comigo mesma). Tinha sido Kuppers! Sim, era dele que já tinha lido o que agora me permitiria suceder no tema; dele, o mesmo que me chegou pelo Dr. Constantino quando senti que me afastava do sentido desta minha vida. Aquela conversa, porque “não há coincidências”, tinha-me levado à introspeção: urge saber de mim mais do que da vida minha ouvirem. Tinha de ser! Nem foi preciso citá-lo, que as tecnologias permitem que tudo seja here and now, enviei-lhe as seguintes fotos das páginas daquela obra tão polivalente quanto o know how do professor universitário:

 

Aquele homem, os buscador, podia ser eu no ciclismo, somando minutos fantásticos, minutos que têm sentido no meu projeto de vida – na busca constante de me superar em que, “apesar de não gostar de perder nem a feijões”, ganho sempre que aprendo, que me torno melhor para o próximo, sempre que conheço e me reinvento! Este projeto de vida não é egoísta: nele cabe um grupo bem alargado e diversificado de pessoas que, do seu modo próprio, com a sua identidade, nos bastidores (como eu digo comummente) fazem também parte desta #buscapelafelicidadenabike

Ilda Pereira (http://ildapereira.com), 36 anos, licenciada em Ensino de Português e Inglês, na Universidade do Minho, e em Artes, na Escola Superior Artística de Guimarães. Foi oficial da Força Aérea e é corredora internacional de ciclismo desde 2010.