GUIMARÃES, PORTUGAL

banner DUAS CARAS.jpgQuando assumi com a Catarina Castro Abreu, e  com muito gosto o fiz, este compromisso de semanalmente escrever uma crónica para o “Duas Caras” já sabia, até por experiências anteriores com outros orgãos de comunicação social, que numas semanas sobrariam os temas, noutras faltariam e noutras ainda teria a sorte de ter um assunto perfeitamente definido e sobre ele escreveria.

É a vida.

Esta é uma daquelas semanas em que não tendo um tema específico sobre o qual me apetecesse escrever tinha, ainda assim, dois ou três assuntos que me pareciam poderem merecer alguma atenção daqueles que tem a paciência de me irem lendo.

O primeiro era a aproximação das comemorações de mais um 24 de Junho, a data mais incompreendida e mal tratada da História portuguesa, em que se celebra a conquista da independência do nosso país mas que estranhamente é uma comemoração confinada ao concelho de Guimarães dado que o país não lhe dá a importância que ela indiscutivelmente tem.

Mas o 24 de Junho, por falta de uma estratégia inteligente (e persistente) que vise impô-la a nível nacional, é uma data cuja comemoração em Guimarães se resume a “mais do mesmo”, ano após ano e todos os anos desde que me recordo.

Umas inaugurações na cidade, vilas e freguesias, dando um ar irresistivelmente  provinciano e paroquial à data, uma sessão solene da assembleia municipal com os discursos do “costume” dos protagonistas mais ou menos habituais e a imposição de umas medalhas a um lote de homenageados com maior ou menor justiça visível para as condecorações.

E isto está tão costumeiro, tão rotinado, tão “mais do mesmo”, tão desvalorizado, que este ano até o presidente de Câmara faltou à reunião do executivo em que foram votadas as medalhas  a atribuir. Portanto não se passa nada, em termos de 24 de Junho, pelo que resolvi não escrever sobre o assunto!

Há também um tema sempre grato aos vimaranenses e que neles desperta habitualmente atenção e curiosidade que é tudo aquilo que se relaciona com o Vitória.

Mas em relação ao Vitória também não se passa nada.

O campeonato acabou, a pré temporada só começa em 2 de Julho, neste momento trabalha-se na preparação da próxima época em que a equipa terá três equipas profissionais de futebol masculino (A-B-Sub23)  mais uma equipa de futebol feminino e até ao momento em que escrevo apenas se sabe de algumas saídas de jogadores das equipas A e B resumindo-se as entradas a apenas um nome.

Pelo que mais vale esperar para ver deixando de lado as habituais especulações jornalísticas, tão próprias destas alturas, e que maioritariamente acabam por nem se confirmar.

Há, é certo, o Mundial da Rússia que a partir da próxima quinta-feira prenderá as atenções da maioria dos portugueses muito em especial nos dias em que a selecção portuguesa entrar em campo para defrontar Espanha, Marrocos e Irão e os que vierem a seguir esperando-se que sejam pelo menos mais quatro adversários.

Mas o Mundial diz pouco a Guimarães em termos directos.

Na fase de apuramento a selecção nem por cá passou, fosse em jogos oficiais fosse em jogos particulares, mantendo uma estranha distância do estádio D. Afonso Henriques que vem desde 2013 e cujo termo não se adivinha.

O que não deixa de ser estranho e a merecer censura.

Porque Guimarães tem a quarta melhor média de assistências do futebol português, desde há quarenta ou cinquenta anos, e dos dez estádios do Euro 2004 (os dez mais modernos de Portugal) o D. Afonso Henriques é não só aquele em que a selecção menos vezes jogou como aquele em que não joga há mais tempo.

Mais precisamente desde 6 de Fevereiro de 2013 num jogo particular com o Equador que se saldou por uma derrota lusa por 2-3 com os nossos golos a serem apontados por Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga.

De lá para cá… nada.

E se a selecção na viagem para a Rússia por cá não passou também da comitiva não faz parte nenhum jogador do Vitória ou, ao menos, nascido em Guimarães o que daria sempre alguma ligação emocional extra aos vimaranenses que apoiam a selecção e se sentiriam especialmente identificados se dela fizesse parte algum “Conquistador”.

Mas não faz.

Ao contrário do que aconteceu no Euro 2016, em França, em que embora a selecção também não tenha passado por cá (estranhíssimo que não tenha vindo a Guimarães em duas fases de apuramento consecutivas incluindo jogos particulares) ao menos da comitiva fazia parte o vimaranense (e ex-jogador da formação do Vitória)  Vieirinha que foi titular nalguns jogos o que sempre reforçou a ligação do concelho à chamada “equipa de todos nós”.

E caberá aqui recordar que tendo decorrido dois anos sobre o Europeu a Câmara de Guimarães continua, que se saiba, sem galardoar o jogador ao contrário do então prometido.

Em suma está a crónica desta semana escrita.

Uma crónica sobre três “não temas” em vez de sobre um tema específico.

Às vezes também faz bem variar.

Luís Cirilo Carvalho, 58 anos, é deputado municipal eleito pelas listas do PSD. Já liderou a concelhia do partido e foi deputado à Assembleia da República 1999 e 2005 na bancada social-democrata. Foi governador civil entre 2002 e 2003. Passou pelo Vitória Sport Clube como dirigente.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.