Festivais Gil Vicente: Amor em tempos de crise, memória e a fronteira entre realidade e ficção

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“Casimiro e Carolina” sobe hoje ao palco do grande auditório do Centro Cultural Vila Flor, marcando o início da semana que fecha a 31.ª edição dos Festivais Gil Vicente. Amanhã ainda é tempo para “Sobre Lembrar e Esquecer”. O certame encerra com “Perplexos”, de Cristina Carvalhal.

Para Rui Torrinha, programador do Centro Cultural Vila Flor, “esta 31.ª edição é 100% nacional”, “comprovando o investimento de Guimarães na criação nacional”. Desde a semana passada, que os Festivais Gil Vicente mostram “uma configuração que faz com que o teatro nos levante uma série de questões, neste momento absolutamente fundamentais nas nossas vidas”, trazendo “a palco experiências-limite, que nos levantam, de facto, questões fundamentais”.

Destaque ainda para o facto de “os festivais terem esta característica de tentar fixar o conhecimento no território, ou seja, de criar uma série de atividades paralelas, que permitam com que essa experiência, esse conhecimento de uma série de pessoas experimentadas na matéria, possam transferir esse conhecimento para a comunidade artística local”, aponta este responsável.

Rui Torrinha sublinha ainda “a importância da relação com a Universidade do Minho, este ano”, em que se abriu “nas atividades paralelas, o olhar sobre as atividades dos próprios alunos do polo de Teatro, do curso de Teatro da Universidade do Minho. “É uma experiência, no fundo, que intensifica esta intenção do conhecimento enquanto investimento, também, do próprio território”, realçando o “papel do espectador mas também o papel do artista da comunidade local”.

Criação nacional continua a marcar 31.ª edição dos Festivais Gil Vicente

Os Festivais Gil Vicente prosseguem hoje com uma coprodução da chancela Centro Cultural Vila Flor, encenada por Tonan Quito. “Casimiro e Carolina” (grande auditório do CCVF, 21h30) “coloca-nos o amor enquanto experiência-limite em tempos de crise, qual é o papel do amor numa situação em que todos nós, no fundo, vivemos numa plena incerteza”, descreve Rui Torrinha. Trata-se de um texto de Horváth, já estreado no Teatro Nacional D. Maria II.

Amanhã, 15, vai à cena “outra experiência-limite, a questão da memória, que é fundamental num tempo de vertigem, onde tudo se transforma e nos esquecemos rapidamente, qual é o lugar da memória”. “Quando essa faculdade nos escapa, como nos comportarmos, como, no fundo, tratarmos dessa sensibilidade, que é fundamental na nossa história” é a temática sobre a qual se debruça esta peça Sobre Lembrar e Esquecer (pequeno auditório do CCVF, 21h30), que conta com Estelle Franco, Mariana Ricardo, Masako Hattori, Paula Diogo e Sónia Baptista.

O certame despede-se com uma peça da Cristina Carvalhal, que se intitula Perplexos (grande auditório do CCVF, 21h30). “Basicamente trata de uma coisa muito comum, que é a fronteira entre a realidade e a ficção, que é cada vez mais uma discussão que se tem nos dias que correm, e o papel do absurdo nas nossas vidas”.

Foto: Filipe Ferreira