Vistas largas

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Desde a sua fundação, em 1999, o Bloco de Esquerda tem mostrado uma forma diferente de fazer política.

O contributo que tem dado, no sentido de transformar a sociedade, pondo em causa conceitos de vida e de pensamento que, ao longo de séculos, castrou o desenvolvimento cultural, deixando-nos a décadas de distância do resto da Europa.

Também em Guimarães, na Assembleia Municipal, na preparação dos vários planos ou nos contactos com as populações, o Bloco de Esquerda tem mostrado uma forma diferente de ver o futuro.

Ao não implementar a regionalização, prevista na constituição de 1976, faz de Portugal um dos poucos (se não o único) países que não tem órgãos regionais eleitos e esse factor reflecte-se no modo como são geridas as Câmaras Municipais, com reflexo no modo como estas tratam as freguesias.

Um município como o de Guimarães, não pode ser gerido a pensar nos próximos dois/três mandatos, com projecções próprias de uma cidadezinha de trinta ou quarenta mil habitantes.

A visão tem de ser a de uma mancha urbana de 160 a 200 mil, envolvendo todas as freguesias, com as suas potencialidades.

A circular urbana foi um dos exemplos negativos, quando mostrou, em meia dúzia de anos, que era pouco mais que uma rua urbana.

Hoje temos um concelho entupido de trânsito e o que se pensa, para resolver o problema, são remendos de ocasião, mas de utilidade efémera.

Para se tornar numa verdadeira capital do Vale do Ave, Guimarães tem de apostar no concelho, sair das muralhas e aproveitar as potencialidades naturais das freguesias.

No nordeste concelhio, sem alterar as características das freguesias, poder-se-ia implantar um centro aquático, para a prática de natação de nível mundial.

Com uma efectiva despoluição dos cursos de água, a exemplo do que se tem feito em vários pontos do país, poderíamos ter duas ou três praias fluviais. Hoje, para usufruir dos diversos benefícios da água, temos meia dúzia de tanques que servirão 5/10% da população.

Na vertente cultural, está mais que na hora de irmos além do salão paroquial, sem menosprezar o meritório papel que desempenham, nas mais variadas iniciativas.

A aposta em centros culturais, espalhados pelo concelho, por mais de uma vez proposto pelo Bloco de Esquerda, não pode ser adiada eternamente, se queremos responder à grande capacidade de iniciativa, das inúmeras associações espalhadas pelo concelho.

O futuro está ao virar da esquina e, para o enfrentar, há que apostar nos talentos e capacidades, sem olhar para cores partidárias e deixar de privilegiar o primo ou filho do amigo.

Ter a humildade de lançar o olhar, para lá das ameias das muralhas, alcançando o potencial de todo um concelho cheio de vitalidade.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.