Construir coletivamente o futuro

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O artigo da última semana pressupunha o lançamento de uma discussão em torno da política cultural que permitisse, após várias décadas de crescimento deste setor em Guimarães, questionar o caminho a prosseguir.

Uma verdadeira política cultural assenta num conjunto de iniciativas e propostas que enriqueçam o território, através da criação de condições para a produção cultural, o contacto com outras realidades e a preservação do património material e imaterial do espaço geográfico ao qual é orientada.

O passado mais longínquo desta política em Guimarães assentou na criação dos alicerces, na criação de públicos e despertar de consciência e sensibilidade para as artes.

Juntamente com este processo, a preservação do património material e imaterial do território foi sempre uma preocupação, passando, por exemplo, pelo trabalho feito do lado material no Centro Histórico, ou no lado imaterial na preservação da doçaria conventual, da olaria ou das festas de interesse concelhio.

O pós-CEC foi uma abertura de portas à criação cultural vimaranense e à descentralização cultural, mais recentemente. Espaços como as Salas de Ensaio ou o Centro de Criação de Candoso são os melhores exemplos da primeira metade, e projetos como o Excentricidade ou Oficinas de Teatro do Teatro Oficina os casos de sucesso da segunda vertente.

Conhecendo o nosso passado, sabendo o nosso presente, temos que continuar a construir coletivamente o futuro. E penso que é precisamente na expressão “coletivamente” que assenta uma das principais linhas orientadores daquilo que pode e deve ser o futuro.

Coletivamente quando o Município, além de se assumir como o responsável pela definição da política cultural, aparece como facilitador e potenciador de sinergias e de desenvolvimento e crescimento dos diferentes agentes culturais vimaranenses.

O trabalho com associações, promotores, artistas e criadores é absolutamente fulcral para o seu próprio desenvolvimento e para uma política cultural mais participada.

Coletivamente quando os próprios projetos culturais em desenvolvimento podem e devem assentar em trabalho de comunidade. O projeto imaterial mais resistente do pós-CEC é a Outra Voz, e não será uma obra do acaso.

Espetáculos como os da Orquestra de Guimarães, onde estão tantos músicos saídos do Conservatório, ou do Teatro Oficina, onde pontificam membros do “Gangue de Guimarães” são hoje, também, motivos para acreditar neste caminho.

É do cruzamento entre o profissionalismo com alto nível de exigência com novos talentos locais ou o simples cidadão que conta a sua história e preserva a memória do território, que saem os projetos artísticos que deixam marca.

Construir coletivamente o futuro, dizia. Cultura com todos, para todos. Respeitando e conservando o passando, dando-lhe a vitalidade de ser usufruída no presente.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.