Utopia?

Terminou recentemente o julgamento do oficial da PSP que, há cerca de um ano atrás tinha agredido, de forma violenta, um adepto de futebol e um outo mas de idade avançada, diante de duas crianças, filhos do primeiro.

Julgado e condenado de forma exemplar. No entanto, para espanto de muitos, a pena foi suspensa ou seja, pode continuar a exercer a “profissão” nos potenciais locais do crime.
Também por estes dias, uma jovem foi vítima de agressão, verbal e física, por parte de um elemento, de uma empresa de segurança privada, nos autocarros dos transportes públicos do Porto e perante a passividade dos agentes da PSP.

Por sua vez, as entidades envolvidas, contam uma versão diferente, acusando a queixosa de violência verbal.

São exemplos que mostram um país, alegadamente de brandos costumes, violento, xenófobo e racista, mesmo tentando pintá-lo de pacífico e recomendável para turista usufruir.

Os descendentes das crianças, educadas durante o estado novo e à força de pancada, onde imperavam réguas e varas, estão a receber uma educação baseada na raiva contida durante décadas, pelos seus pais e avós.

No tempo da ditadura, salvo raras excepções, as crianças apanhavam do pai, da mãe, do padre, da catequista, da professora e, até, do irmão mais velho.

Os educadores de hoje, na impossibilidade de usar as “armas” de antigamente, sentem grande dificuldade em lidar com as transformações, alegando excesso de liberdade e refugiando-se no “antigamente é que era”.

Uma sociedade perfeita, tal como os indivíduos que a compõem, não existirá jamais.

No entanto, tenderá a deteriorar-se enquanto houver o culto da personalidade, a divisão da sociedade em classes, se construírem pedestais, bustos e estátuas, adoração de figuras de barro ou metal, na ânsia de se eternizarem artificialmente.

Uma sociedade será feliz, quando cada indivíduo procurar a felicidade do outro. Quando derrubar os muros, as grades ou sebes que separam, afastam e isolam o vizinho.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.