Participar

Passados 44 anos, após o 25 de Abril, o desinteresse dos portugueses, relativamente à participação política, é por demais notória e em crescendo.
A culpa, essa eterna solteirona, tem de ser repartida por todos, especialmente os partidos com responsabilidade legislativa.

A falta de imaginação, a dificuldade em transmitir garantias de diferença, aliados ao facto de só os terem em conta, nos actos eleitorais, faz crescer a desconfiança e o inevitável chavão: “São todos iguais”.

Na verdade, como se pode confiar em políticos que, valendo-se da sua condição de deputados, criam privilégios absurdos e, até, ofensivos para quem trabalha uma vida inteira, com salários de miséria e acaba com pensões ainda mais miseráveis.

A criação das subvenções vitalícias, condenadas pelos vários quadrantes políticos, não teve uma única renúncia, numa demonstração de hipocrisia e oportunismo.

Que dizer, quando vemos deputados e outras figuras ligadas ao estado, receberem chorudas pensões, ao fim de meia dúzia de anos de descontos e com a possibilidade de continuarem a exercer?

Que reacção poderá ter, o cidadão comum, quando assiste a manobras como a das residências fiscais?

As explicações, para mais esta “chico-espertice”, acabam sempre no refúgio de que não é ilegal, está legislado. Mas, se eu pago o meu transporte para o emprego, porque não pode o deputado pagar o dele!?

Perante todas estas desigualdades, os eleitores teriam mais que razões para se revoltarem e exigirem igualdade de tratamento, o fim dos privilégios e a legislação que lhes dá cobertura.

Insolitamente, exceptuando alguns “crentes” ou os que se predispõem a entrar para o círculo, nota-se um entorpecimento e uma passividade, que deveria ser alvo de estudo.

Mais preocupante, ainda, é o facto de vermos reacções, quase animalescas quando, num campo de futebol, quando algo não corre de feição.

Insultos, agressões e mortes, causados por um mero pontapé na bola!?
Que fazer, perante a implantação da versão actual de “pão e circo”?
Que grau de intencionalidade haverá, por detrás desta onda, nos meios de comunicação onde, curiosamente, se assistido a um investimento desmedido?
Não há coincidências nem almoços grátis e toda a gente o sabe, mas esquece ou talvez não.