Herdeiros das novas Conquistas

“A natureza ordenou que os jovens sejam jovens antes de serem adultos. Se pretendemos alterar esta ordem, produziremos só frutos verdes sem sumo”

– Jean Jacques Rousseau

No sábado decorreu a primeira jornada da primeira edição da Liga Revelação, a nova competição organizada pela Federação Portuguesa de Futebol dedicada ao escalão sub-23.

A competição, que pretende ser o campeonato no qual as revelações do futebol português vão ‘explodir’, junta 14 equipas: Académica de Coimbra, Cova da Piedade, Desportivo das Aves, Feirense, Estoril Praia, Marítimo, Belenenses, Portimonense, Rio Ave, Benfica, Braga, Sporting, Vitória Futebol Clube e Vitória Sport Clube.

O objetivo principal desta competição é criar uma plataforma de desenvolvimento dos jogadores para que estes jovens futebolistas comecem a chegar à Primeira Liga melhor preparados para os desafios que esta lhes apresenta, possam estar mais presentes nas seleções nacionais e se tornem nomes relevantes no mercado, contribuindo para o equilíbrio financeiro dos clubes portugueses.

Possuir um elevado nível de Formação é uma estratégia que pode ser bastante vantajosa para os clubes de futebol (diria até imperativa considerando os níveis desgravitados dos orçamentos dos clubes presentes na Primeira Liga esta época) pois permite, por um lado, que os clubes de futebol poupem muito dinheiro e, por outro, que aumentem suas hipóteses de vitórias e triunfos.

A Formação sempre esteve presente na estratégia de crescimento do Vitória Sport Clube e nos últimos anos tem sido capaz de fornecer vários jogadores à equipa principal.

Na realidade, o Vitória Sport Clube conquista a Taça de Portugal em 2013 depois de uma época marcada por dificuldades financeiras, que forçaram Rui Vitória a reformular a equipa ao longo da temporada, recorrendo à Formação B após ter perdido jogadores influentes no mercado de inverno. Foi aliás um desses jogadores – Ricardo Pereira – que marcou o segundo golo dessa Conquista.

Manter a premissa de jogadores da Formação no plantel e formar os herdeiros das novas conquistas parece continuar a ser um pilar do futebol do Vitória. A criação da equipa Sub-23, a aposta em Alex como treinador da equipa B e a própria escolha de Luís Castro – com uma vasta experiência como responsável pela Formação do FC Porto e treinador do FC Porto B (pelo qual foi campeão da Segunda Liga) corroboram essa premissa.

Apesar de não existir uma formula certa para a Formação – pelo menos não uma que seja consensual – parece-me que esta se assume cada vez mais como o “ADN” do clube. A Formação é todo o trabalho que o clube executa para fornecer aos jogadores – que futuramente poderão vir a ser elementos da equipa A – os conhecimentos necessários para que desenvolvam a sua atividade dentro do clube de forma proveitosa e lucrativa.

O Vitória Sport Clube tem de desenvolver ao máximo o potencial de cada um dos seus jogadores embrionários para se tornar num clube com um plantel muito mais competitivo e valioso, aumentando assim as possibilidades de alcançar bons resultados e concretizar bons negócios. Um jogador que faça excelentes desempenhos dentro de campo atrai sobre si muito mais atenções e torna-se apetecível aos olhos de outros clubes que poderão pagar elevadas quantias pelas suas contratações. Já sem falar dos troféus, taças e campeonatos que um jogador bem formado pode ajudar o seu clube a ganhar (a conquista da Taça de Portugal continua a ser um bom exemplo disso).

A Formação não pode ser vista como uma despesa, mas como um investimento. Se a aposta for feita em jogadores com verdadeiro potencial a desenvolver, o dinheiro gasto na sua Formação torna-se num investimento com retorno mais do que garantido.

Apostar na Formação de jogadores promissores e fazer deles os herdeiros das novas conquistas é certamente uma tarefa prioritária no Vitória. Estamos a formar jogadores dedicados e competentes, com espírito de equipa e capazes de colocar o sucesso do grupo à frente do seu sucesso pessoal. Um jogador que desde jovem seja ensinado dentro dos valores do Vitória e embutido do amor ao símbolo do Rei vai seguramente ser um jogador responsável dentro de campo e uma mais-valia para a equipa A.

O Vitória é conhecido pelo excelente nível de Formação que ministra aos seus jovens talentos, facultando uma Formação moderna e adequada aos seus jogadores. Precisamos de utilizar esta nova competição para fazer vir ao de cima o que de melhor existe nas camadas mais jovens do clube para que os possamos valorizar ainda mais. Contratar um jogador oriundo de um clube de futebol com mérito reconhecido a nível da Formação funciona como uma garantia de qualidade e faz entrar largas somas de dinheiro nos cofres do clube formador. A aposta na Formação e a participação na Liga Revelação é, portanto, um investimento que se paga a si mesmo e que poderá vir a gerar um grande lucro para o clube.

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.