Se eu fosse… Turista!

E vivesse, por exemplo, em Torres Novas, terra da minha amiga e camarada Helena Pinto, resolveria passar este fim-de-semana em Guimarães e apanharia o comboio que vem de lisboa, na sexta-feira, com chegada àquela cidade perto do meio-dia.

Para começar, procuraria o autocarro que me levaria a uma pequena vila do concelho, onde se encontra algum alojamento, mais acessível à minha carteira.

Feito o registo, partiria para o centro da cidade, onde existe um dos mais belos centros históricos de Portugal e procuraria o posto de turismo para fazer um programa.

Além do centro da cidade, quereria visitar a Penha, utilizando o teleférico, S. Torcato, a Citânia de Briteiros, as igrejas milenares de Serzedelo e S. Martinho de Candoso, as pontes romanas e pós-romanas do concelho (algumas em estado de total abandono) e, se houver, algum parque ou praia fluvial, como se encontram por esse Portugal fora.

A primeira constatação seria que, o centro histórico é a menina dos olhos da Câmara. A seguir vem o parque natural da Penha, um lugar fresco, embora cheio de carros e autocarros, o que lhe retira recomendação de visita, nos domingos de verão.

A segunda seria que, o resto do concelho, embora cheio de potencialidades, está votado ao abandono.

Começando nos transportes públicos, para qualquer destino mencionado, perderia toda a vontade de visitar. Chegar ao ponto de precisar de hora e meia, para chegar à Citânia! E para chegar à igreja de S. Martinho de Candoso, teria de ir quase a Brito, demorar cerca de quarenta minutos e desembolsar três euros e cinquenta!

Para agravar a aventura, depois de todo o esforço, viria de “mãos a abanar”, porque as igrejas estão fechadas, sem nenhuma possibilidade de serem visitadas, com um mínimo de dignidade de um monumento nacional.

Em vários pontos do concelho, ver-se-iam os, agora denominados, centros cívicos, obras para dar nas vistas, mas de utilidade nula.

A enorme quantidade de parques de lazer, construídos ao ritmo do abandono das quintas, por parte de quem não as queria trabalhar, são, na realidade e na maior parte dos casos, campos arrasados que, para lazer, pouco ou nada servem.

Poderia ter a tentação de me banhar, num dos rios que atravessam o concelho mas, seria imediatamente desaconselhado por que conhece a realidade.

– O melhor é não arriscar e escolher um dos poucos tanques, pejados de pessoas, que existem no concelho. Dir-me-iam!

Resumindo, se alguém me pedir conselho, acerca de visitar o concelho, dir-lhe-ei: Visita o centro histórico, passa uma tarde na penha e esquece o resto, tal como fazem os responsáveis municipais.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.