A bola (não) entra por Wakaso

“Os dias prósperos não vêm por acaso. Nascem de muita fadiga e muitos intervalos de desalento.”

― Camilo Castelo Branco

O sentimento que o vitoriano tem pelo Vitória é um dos mais sublimes vividos pelo ser humano. Nós entregamo-nos completamente em cada jogo. Nós vivemos cada lance intensamente como se ele fosse condicionar o resto da nossa vida. Nós vibramos nas vitórias e sofremos nas derrotas. Nós estamos sempre lá. Nós não sabemos o que é desistir e sabemos que a persistência um dia será compensada. Nós vestimos a camisola do Rei como se fosse o escudo do próprio D. Afonso Henriques, capaz de amenizar todas os golpes que o nosso coração já sofreu.

Na última época e nos últimos jogos vimos a equipa a entrar em campo quase sem garra e assistimos a derrotas. Sentimos a dor de amar e não ser correspondido, vimos que aqueles que estavam em campo não o faziam com a  garra de um Conquistador, nem ‘suavam’ a camisola para honrar o símbolo do Rei.

Nos dois últimos jogos já sentimos a diferença. Não foi em todos os momentos (talvez até mais no Dragão do que na sexta em casa), mas foi bom ter pelo menos momentos em que os jogadores foram para o jogo sem medo, houve entrega, vimos o que queremos que seja sempre: um Vitória aguerrido e que acredita em cada bola.

É isso que esperamos do exército do Rei quando enchemos o estádio com mais de 20 mil pessoas numa sexta feira à noite. É este o nível de entrega que exigimos quando transformamos o D. Afonso Henriques no Inferno Branco. É por este tipo de futebol sem medo, com garra e com talento que nós saímos de casa para ir para o estádio do Rei.

Sabemos bem que a bola não entra por acaso. Sabemos que por detrás de cada pequena melhoria em campo estão muitas horas de trabalho no treino, mas é isto (cada vez mais disto) que vamos continuar a exigir: trabalho árduo, dedicação, garra e amor à camisola.

Sintam o Inferno Branco. Sintam o nosso amor. Nós vamos apoiar o Vitória sempre e o que exigimos em troca é apenas o empenho dos dirigentes, treinadores e jogadores. Honrem o nosso manto. Joguem por nós, joguem pelo preto e pelo branco, joguem pelo Primeiro Rei de Portugal (que trazem todos os dias ao peito), joguem pela nossa História.

Vencer no Dragão foi muito bom, vencer finalmente em casa esta época foi bom, voltar a sentir o nosso Castelo a tremer a cada palma do viking clap foi emocionante. Estamos felizes, estamos (novamente) genuinamente felizes, mas queremos que as melhorias não fiquem por aqui, queremos que a qualidade de jogo seja cada vez melhor, queremos que a felicidade não se fique apenas pelo acaso de um golo. Queremos que joguem todo o jogo como a segunda parte no Dragão e os minutos que antecederam o golo na sexta. Queremos que  joguem assim nos jogos em casa e nos jogos fora, que atuem de acordo com o que o Vitória exige. Queremos que entrem em campo como se cada jogo fosse o último. Queremos que lutem pela bola como se aquilo fosse a vossa vida.

O campeonato vai parar. Dediquem-se. A bola não entra por acaso. Será necessário muito trabalho, mas nós acreditamos que este grupo é capaz de nos fazer muito felizes esta época. Nós, adeptos vitorianos, continuaremos a incendiar o Inferno Branco e a percorrer este país para vos apoiar. A vocês, os homens do exército do Rei, só pedimos que honrem o símbolo que trazem ao peito.

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.