Arte e Têxtil: marcas de um território

Foi inaugurada, no passado dia 1 de Setembro, a Bienal de Arte Têxtil – Contextile. Esta iniciativa é hoje uma marca absolutamente diferenciadora do território vimaranense. Por um lado, porque é dos marcos da CEC 2012 que se mantem com grande vitalidade e, por outro, pela capacidade de ser um evento distinto do panorama nacional.

A juntar a estes ingredientes está ainda o facto da felicidade da conjugação de fatores que estão na sua origem: juntar a Cultura e a Arte ao Têxtil, num território como o vimaranense, é absolutamente marcante.

Com o passado que o Vale do Ave tem ligado a este setor económico, é hoje vital que a sua interpretação e compreensão, principalmente pelas camadas mais jovens, seja, de certa forma, desdramatizada e aligeirada. As histórias traumáticas perpassam muitas das famílias deste território.

Conseguir esta reinterpretação através de uma área que se tornou o ícone maior da Cidade de Guimarães é um extra de perspicácia assinalável. É esta, também, senão principalmente, uma das funções da arte.

Estes fatores atrás mencionados, são hoje verdade como foram para as anteriores edições deste evento. Mas este ano, além do salto quantitativo e qualitativo conseguido com o programa, juntam-se alguns ingredientes que fazem desta uma edição marcante da Contextile.

Quem teve oportunidade de acompanhar as inaugurações, e foram muitos os que
participaram, contactou com diversas intervenções entre espaços mais formais e espaço público, de grande qualidade.

Para o final ficou a cereja no topo do bolo. A intervenção de Ann Hamilton, artista americana de renome internacional, que começou pela Sociedade Martins Sarmento, estendeu-se à Praça da Plataforma das Artes e ao interior do Centro Internacional das Artes José de Guimarães, sempre na companhia de uma performance envolvente e emocionante da Outra Voz (outro projeto que felizmente 2012 deixou neste território).

Uma relação entre os processos da Indústria Têxtil, desde o animal à peça final, passando pelo tecido e pelas peles, com o envolvimento do ser humano nesses passos. Para além da intervenção em si, a artista desenvolveu jornais descritivos da sua obra que são distribuídos no Mercado Municipal em performances nas manhãs do fim-de-semana.

Uma relação por explorar até agora entre o Novo Mercado e o seu antigo espaço. A relação entre a arte e o quotidiano, que bem interpreta o espírito desta Bienal, e o espírito da Guimarães que conhecemos.

Até 20 de Outubro será absolutamente imperdível de acompanhar este evento.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.