Verão sem sobressaltos

Com o final do Verão e o regresso ao quotidiano, sobram saudades dos tempos menos agitados e das férias.

Se retirarmos o inferno da rotunda da auto-estrada – que não foi de férias e ali viverá até 2019 ou 2020! – Guimarães viveu um bom verão.

Desde logo pela ausência de fogos com dimensão assinalável e principalmente sem impacto negativo na vivência da maioria da população. Regista-se a circunstancia atendendo a que nem todo o país teve um verão sossegado nesta matéria.

Em termos turístico, embora ainda sem dados concretos que permita uma análise mais refinada, notou-se uma afluência de visitantes que naturalmente orgulha quem gosta de receber e de mostrar o que de melhor tem a nossa terra. Continua a ser prioritário o desenvolvimento de alternativas capazes ao património histórico-cultural, novos roteiros turísticos que permitam a fixação por mais que apenas um dia daqueles que nos visitam. Para esse fim, importa um trabalho rigoroso de análise do potencial turístico de Guimarães em áreas complementares e assim implementar alternativas que apoiem esse objectivo. Já aqui reforcei a componente relacionada com o turismo-natureza/turismo-aventura na dimensão específica das praias fluviais. Mas outras alternativas existem e importa serem trabalhadas para aumentar a dimensão turística de Guimarães enquanto maior sala de visitas do Minho.

E nesse sentido sublinho a dimensão cultura do Verão em Guimarães. Não há dúvida que é um dos períodos com maior oferta cultural do ano. E isso importa porque regista uma imagem naqueles que nos visitam nesse período que dignifica a memória de Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012.

Naturalmente que não esqueço neste particular a discussão pendente sobre a cidade e necessariamente sobre o ponto de equilíbrio entre a vivência dos que habitam e a fruição dos que procuram a oferta cultural espalhada pelo espaço urbano da cidade.

Não obstante o importante ponto acima, é de saudar a dinâmica das “Parcerias Público-Privadas-Associativas” que permitem um conjunto alargado de actividades culturais em período estival. Destaco o Cinema em Noites de Verão, o L’Agosto, o Vai-m’à Banda, o Manta e, para encerrar, o Suave Fest que contará certamente com condições meteorológicas de Verão. Seria interessante reflectir sobre a aposta num destes projectos para aumentar a escala e captar públicos na região e no país, colocando Guimarães no mapa dos festivais de verão de uma forma e dimensão própria.

Outros projectos culturais em tempo de Verão se espalharam pelo concelho, dos quais sublinho o EcoFest Curviã que no Parque da Praia Fluvial em Airão Santa Maria ofereceu um festival com um enquadramento interessantíssimo e que espero possa continuar no futuro.  

Não esqueço neste ponto a Feira Afonsina – certamente um dos maiores investimentos lúdicos do Município, embora este ano transformado em mostra associativa, a Noite Branca e muito menos as Gualterianas. São eventos diferentes daqueles que refiro acima, embora os inclua também na agenda de Verão em Guimarães.

Uma nota particular para as Gualterianas, relativa à importância que estas festas têm para a conservação da matriz tradicional que importa preservar também na cidade. Para conferir à cidade a genuinidade que como “bairristas sem igual” os Vimaranenses certamente quererão continuar a vivenciar também nas festas da cidade. Aproveito assim para reforçar a urgência de um debate conclusivo sobre o espaço das Gualterianas na cidade e a forma de compatibilizar – novamente – o equilíbrio entre a vivência dos que habitam e a fruição dos que procuram o lazer.

 

Alexandre Barros Cunha, 34 anos, engenheiro civil de formação abraçou a gestão de operações por vocação. Tendo liderado a JSD em Guimarães e no distrito, é hoje deputado municipal, vice-presidente do PSD Guimarães e membro do Conselho Nacional do PSD.