Dialética Política: Oposição quer integrar conselho executivo da CVE

Presença da oposição no conselho executivo, prioridades na Capital Verde Europeia e custos da candidatura foram as questões lançadas pelo vereador da oposição, Bruno Fernandes. Foi aprovada a constituição do órgão que vai levar avante uma nova candidatura de Guimarães ao título europeu, ainda neste mandato. É a esperança do presidente da Câmara.

Domingos Bragança, presidente da Câmara de Guimarães

Já tive reuniões, até para preparar este documento, com a coordenadora [professora Isabel Loureiro], que vou convidar formalmente, que de um modo informal já foi convidada. Já tivemos uma primeira reunião com um representante da Universidade do Minho, o vice-reitor da UTAD, de Trás-os-Montes e Alto Douro, a senhora presidente do IPCA, Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, e a senhora diretora da universidade das Nações Unidas, para integrar em definitivo esta universidade tão importante em Guimarães e no país. Esta unidade operacional, mas que queremos passar a instituto, das Nações Unidas, da universidade das Nações Unidas, e também com o contributo decisivo do senhor ex-reitor, professor António Cunha, que agora também está à frente do laboratório de transformação digital da Universidade do Minho, que dará aqui um contributo decisivo.

Portanto, estiveram na elaboração deste documento, portanto o trabalho já começou, mas agora vai ser dada muita força para que este plano de desenvolvimento sustentável, que tem várias etapas, é de longo prazo… quando dizemos 2030, é bom que tenhamos que o horizonte para que estamos a trabalhar, de transformação, é para 2030, mas há muito trabalho… ou melhor, há planos de curto prazo, de agora, de hoje, que começámos até com a anterior estrutura de missão, com esse plano, e que haverá de médio prazo e de longo prazo. Por exemplo, no plano de médio prazo, temos condições, desde já, para fazermos uma nova candidatura a Capital Verde Europeia.

Agora, eu quero, de facto, que haja… lutarei sempre para isso, farei tudo para isso, que haja consenso geral com os partidos políticos, mas também consenso e um grande envolvimento e entusiasmo, como eu tenho, neste processo, de todos os nossos concidadãos vimaranenses, de todas as instituições, das escolas, que a comunidade escolar é fundamental nisto.

Também das brigadas verdes, que vamos continuar a dar força, porque são movimentos de base territorial que dão uma ajuda fundamental, e também as Juntas de Freguesia, portanto, todos os atores que intervêm no território e que têm uma importância fundamental. Porque isto ou envolve todos, ou então não temos sucesso, porque isto é um trabalho muito difícil.

Não estou propriamente a falar da candidatura, mas eu quero que haja candidatura, porque a candidatura é como tudo na vida: se definirmos objetivos, etapas, nós lutamos e concentramos esforços para esses objetivos, “agora quero isto”.

Senão, fica tudo muito geral, muito difuso, portanto há sempre tempo, há sempre tempo, começa um a dizer “isto é para 2030”… Não, não! Se calhar é para 2020, 2021, 2022, portanto, objetivos que nós temos que definir, que é para lutarmos todos para os conseguirmos, porque esses objetivos obrigam a ter patamares de qualidade e a resolver problemas que temos, de imediato, senão fica tudo um bocado para amanhã, não é? E eu não quero que seja para amanhã, quero que seja para hoje.

A estrutura de missão irá definir exatamente… estrutura de missão que eu presido, é bom que tenhamos também esta consciência, eu presido à comissão diretiva, com os senhores reitores da Universidade do Minho e da de Trás-os-Montes, da estrutura diretiva, e com a coordenadora e também com o presidente da associação… e as comissões executivas da associação Laboratório da Paisagem, que estarão aqui também no trabalho, enfim, dia a dia.

Mas o meu desejo, já o expressei, gostaria e farei tudo para que ainda neste mandato haja uma nova candidatura. Já o expressei várias vezes, talvez em 2020, possivelmente em 2021, vamos ver, não cai o Carmo e a Trindade se não o fizermos, mas o meu objetivo é que haja uma candidatura de novo a Capital Verde Europeia, que foi tão empolgante, tão interessante, resolver tantas coisas.

Fez interiorizar na comunidade esta agenda ambiental e que todos nós aceitamos que na agenda nossa esteja o ambiente e que em todo o mundo começa a estar, definitivamente, a agenda ambiental, porque, enfim, se não arredarmos caminho, pode ser que o planeta Terra nos faça arredar a nós, não é, como eu costumo dizer.

Bruno Fernandes, vereador da Coligação Juntos por Guimarães

A sugestão é que nós [oposição] pudéssemos integrar o conselho executivo e não ficar no conselho consultivo. Em coerência com aquilo que temos dito, quisemos aqui deixar claro que votamos a favor com a constituição desta estrutura de missão, porque, globalmente e relativamente ao objetivo de Guimarães concelho mais verde, com mais desenvolvimento sustentado, estamos de acordo.

Divergimos quanto à metodologia, isso o PSD tem dito várias vezes, que diverge quanto à metodologia, entendemos que Guimarães deve fazer um caminho de médio prazo, preparando-se para ter índices e indicadores muito positivos e distintivos, relativamente a outros concelhos, em matéria ambiental, e só depois, reunidas essas condições, podermos apresentar uma candidatura a Capital Verde.

Tal como fizemos com a Capital da Cultura, em que foi feito um trabalho relativamente ao património e à formação cultural, que depois teve como consequência e desaguou na candidatura a Capital da Cultura. Na questão da Capital Verde, entendemos que esse caminho deve ser o caminho a seguir pela Câmara Municipal. Não tem sido, divergimos quanto a essa parte, mas quanto à questão global, estamos de acordo.

Quisemos foi deixar aqui três notas muito objetivas: uma, achamos que se aquele que foi o principal indicador, ou um dos principais indicadores positivos da avaliação da anterior candidatura, que foi o envolvimento e o consenso político, nesta estrutura de missão devia ter sido dado um sinal de aprofundamento dessa questão, isto é, os partidos estão representados no conselho consultivo.

Nós entendemos que havia aqui uma oportunidade de a Câmara Municipal dar um sinal, também, não apenas interno, para o concelho, mas acima de tudo numa futura candidatura, de incluir um representante da oposição no conselho executivo, obviamente não remunerado, mas integrando aquilo que é a estrutura executiva desta estrutura global de missão.

Portanto, foi essa nota que quisemos dizer ao senhor presidente, que perdeu essa oportunidade de, no fundo, dar aqui um sinal claro de que quer os partidos envolvidos, de que quer um consenso político, de que quer, de facto, que os vimaranenses sejam todos envolvidos. Segunda nota, aquilo que já disse no início desta minha intervenção:

A prioridade que está definida como primeira nesta estrutura de missão é uma nova candidatura a Capital Verde, nós entendemos que esse devia ser o último item de todos os 15 ou 20 que estão lá vertidos, isto é, todo o caminho que está como funções desta estrutura de missão, de preparar o concelho a vários níveis, dos estudos, das intervenções feitas nos rios, aqui e ali, portanto, todo o trabalho que há a fazer para que Guimarães se distinga a nível ambiental.

Essa, para nós, deve ser a principal prioridade, e depois, a Capital Verde Europeia. Nesta estrutura de missão, a primeira prioridade a candidatura a Capital Verde Europeia e entronca naquilo que disse inicialmente, quanto à metodologia.

Depois, e por último, a questão dos custos. Nunca discutimos quanto custa esta questão, quanto custa a candidatura a Capital Verde Europeia, e tentamos aferir do senhor presidente e percebemos que ele não tinha dados objetivos, portanto estarão vertidos ou dispersos nos vários setores da Câmara Municipal, mas acho que era importante que os vimaranenses soubessem quanto custa esta estrutura de missão e quanto tem custado aquilo que é a preparação das candidaturas a Capital Verde Europeia. E foi isso que quisemos hoje deixar, aguardamos respostas mais à frente, em sede de plano de atividades e orçamento.

Em contexto de reunião de Câmara, o órgão que governa dos destinos do município, os temas são quase sempre debatidos a duas caras. Este exercício de dialética política serve para conhecer os argumentos que suportam as aprovações, abstenções ou chumbos que, de quinze em quinze dias, vão marcando a cidade. O seu a seu dono: discursos transcritos na primeira pessoa.
Este trabalho conta com o apoio da:

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