Dialética Política: Transportes, o denominador comum nas reuniões descentralizadas

A rede de transportes públicos em Guimarães é o denominador comum em todas as reuniões descentralizadas que têm sido feitas desde o primeiro mandato de Domingos Bragança. Trazido pela população ou pelos vereadores da oposição, desta vez, o presidente da Câmara voltou a falar da ideia de um tramway (metro de superfície) que ligue os municípios de Guimarães, Braga, Famalicão e Barcelos. Do lado da Coligação Juntos por Guimarães, Bruno Fernandes lançou o repto: “sem transportes públicos, sem uma rede funcional de transportes públicos não vamos também aproximar estes habitantes do centro da cidade”.

Domingos Bragança, presidente da Câmara

O transporte aqui – por causa das ligações com o concelho vizinho de Braga – não é a premência que tem em outros territórios de baixa densidade. Não se pode dizer que Sande São Martinho seja um território de baixa densidade, chamarei de média densidade. Quando estamos a falar de baixa densidade, é habitante por quilómetro quadrado, portanto tem os critérios de medição e este é um território de média densidade.

Transportes temos que os trabalhar. Ainda no outro dia falava e agora mesmo com o senhor vereador do Urbanismo, Fernando de Sá, e hoje por causa da palavra transição energética.

Hoje temos soluções muito interessantes: por exemplo, a questão do metro ou do autocarro elétrico, nas zonas mais densas, hoje começa a ver nas zonas onde possa haver a alimentação permanente, em cabo, que é o metro de superfície, alimenta, mas depois nas partes onde não é possível ter alimentação tem a bateria.

O tramway já foi levantado no Quadrilátero Urbano. O meu colega de Braga, o Ricardo Rio, na última reunião do Quadrilátero até referiu isso, porque tem havido reuniões entre nós, obviamente. Então achou que eu não deveria ficar isolado nesta pretensão do tramway ou solução equivalente e hoje há soluções excecionais.

Uma vez que há estas baterias, em que o tramo elétrico pode ser alimentado permanentemente, que tem o cabo que está a alimentar esse veículo, e onde não puder tem a bateria onde carregou nesse tramo elétrico. Portanto há soluções excecionais que devem ser no âmbito do Quadrilátero Urbano e nós devíamos estar incluídos na experiencia que o governo quer ter, quer na mobilidade elétrica, quer na condução autónoma.

Estamos a sinalizar isto para o governo. Sempre a trabalhar nos quatro concelhos para ter uma dimensão crítica forte numa área, chamada área metropolitana do Minho.

Bruno Fernandes, vereador da Coligação Juntos por Guimarães

Primeiro lugar, deixar uma nota de agrado por termos estado aqui em Sande São Martinho nesta reunião de Câmara descentralizada. É uma oportunidade de trazer de forma mais detalhada aquilo que são os problemas e as preocupações desta parte do concelho. E a Coligação Juntos por Guimarães, nomeadamente, o PSD e o CDS, trouxeram aqui uma preocupação que resulta de um indicador demográfico que quis partilhar aqui com todos.

Isto é, nos últimos anos esta freguesia perdeu 12% da sua população, contrariando aquilo que foi uma perda de cerca de 1% do concelho. E, partindo deste indicador, quisemos dizer e reiterar aquilo que têm sido as propostas que temos defendido para combater a desertificação das zonas mais afastadas do centro da cidade.

Isto é, quisemos aqui dizer que temos e mantemos a preocupação quanto à requalificação da EN101, que é para nós fundamental para vermos mitigada esta problemática de assistirmos a habitantes das freguesias periféricas do nosso concelho a fugirem para outros concelhos, para os concelhos que estão imediatamente contíguos. Assistimos isso aqui com habitantes a ir para Braga e assistimos na zona mais sul do concelho com habitantes a irem para Famalicão. EN101.

Também quisemos dizer que sem transportes públicos, sem uma rede funcional de transportes públicos não vamos também aproximar estes habitantes do centro da cidade. E a ligação ao nó da autoestrada: entendemos que era muito positivo para esta parte do concelho, toda esta envolvente à vila das Taipas, que houvesse, por exemplo, em Brito um nó de ligação à autoestrada permitindo que as pessoas e empresas estejam mais próximas desta zona do concelho.

Resumindo, três preocupações: há um indicador demográfico que nos preocupa e há soluções estruturantes que deveriam ser acauteladas, nomeadamente a requalificação da EN101, melhoria dos transportes públicos e a criação de um no de ligação à autoestrada nesta zona.

São preocupações que termos partilhado ao longo dos últimos anos e dissemos aqui, de forma clara, que não vale a pena fazer investimento nas freguesias, criando equipamentos públicos nas escolas, nas acessibilidades, se depois não resolvermos a questão fundamental que é fixar a população.

Em contexto de reunião de Câmara, o órgão que governa dos destinos do município, os temas são quase sempre debatidos a duas caras. Este exercício de dialética política serve para conhecer os argumentos que suportam as aprovações, abstenções ou chumbos que, de quinze em quinze dias, vão marcando a cidade. O seu a seu dono: discursos transcritos na primeira pessoa.
Este trabalho conta com o apoio da:

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