Os balanços

Escrevo aos sábados, porém, a um mês da 14ª Convenção do Partido Ecologista Os Verdes o trabalho intensifica-se e a Catarina, mentora do projecto Duas Caras, deu-me a possibilidade de publicar hoje.

Confesso que seria impossível para mim não escrever umas palavras sobre o artigo que saiu num jornal local sobre o balanço do primeiro mandato da Assembleia Municipal de Guimarães.

Todos sabemos que os balanços são saudáveis e servem de impulsionadores do trabalho de quem os resolve fazer. A CDU promove iniciativas de balanço quer seja dos seus eleitos nos órgãos locais, quer seja dos seus eleitos nos órgãos nacionais, sobretudo para se responsabilizarem perante os seus eleitores.

Por isso, este balanço do primeiro ano da Assembleia Municipal não nos admira e – bem feito – podia ter sido um trabalho digno de esclarecimento e de informação, papel que cabe aos órgãos de comunicação social.

No entanto, este artigo incide apenas nas faltas e substituições dos membros  da Assembleia Municipal sem se referirem ao trabalho que cada bancada levou a cabo durante este ano. Sem se referirem às questões levantadas, ao que foi proposto, às intervenções que foram feitas, à participação activa ou menos activa de cada bancada, por exemplo.

Não! O mais fácil é dizer que este membro faltou X vezes, que o outro membro pediu substituição Y vezes e que este facto poderá ser um factor de desacreditação daqueles que foram eleitos, os políticos.

Então, este pode também ser um factor de desacreditação de quem foi eleito, mas é apenas um no meio de muitos. Os eleitores quererão saber se os que não deram uma única falta alguma vez fizeram intervenções? Quererá o eleitor saber se os que substituíram foram a voz dos eleitores? O jornalista que fez este artigo saberá quais são os membros da assembleia municipal que votam em consciência nos temas da agenda, conhecedores dos documentos? Quantos eleitos de algumas bancadas estão lá há 2 ou 3 mandatos e que nunca fizeram uma intervenção? Quantos podem fazer balanços da sua participação nas discussões?

Para a CDU as substituições são naturais, algo que nos comprometemos durante a campanha, porque é um colectivo que se propõe a eleições e não um rosto. Os membros da lista à Assembleia Municipal de Guimarães participam na preparação da mesma e poderão ter lugar para ganhar experiência e para se envolverem inteiramente no trabalho deste órgão.

Esta é a posição, clara, que assumimos e que não escondemos. O que não escondemos também é que a CDU não tem uma única falta, mas isso foi escondido no artigo. Não deixa de ser uma curiosidade engraçada, no quadro dos partidos com assento na assembleia a CDU não consta.

No entanto, no texto em que cada líder de bancada é chamado a opinar sobre as faltas e substituições neste órgão tão importante para a democracia e para o poder local, estão lá plasmadas as respostas da líder de bancada da CDU.

Ora, a CDU está ou não está na Assembleia Municipal? Foi eleita ou não? Faz ou não faz trabalho? Tem ou não tem faltas?

Quanto às substituições, consta um eleito da CDU entre os que mais vezes foram substituídos. Quanto às faltas, reponho a verdade e digo-vos que a CDU tem zero faltas. Já quanto ao trabalho deixo-vos o desafio, assistam às Assembleias Municipais de Guimarães e vejam quem questiona, quem propõe, quem contribuí para que as discussões sejam enriquecidas e não se deixem enganar por quem escolhe silenciar e esconder.

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.