Vitória: as contas da última década

A análise aos resultados financeiros do Vitória desde a época 2007/08 mostra que o clube atingiu um pico no pagamento de salários e no passivo na época 2011/12, marcada precisamente pela demissão do então presidente Emílio Macedo da Silva e pela ascensão de Júlio Mendes ao cargo, nas eleições que se seguiram. Nos tempos que se seguiram, o clube perdeu dimensão económica, em função do corte nos gastos para o abate do seu passivo e da constituição de uma SAD para o futebol, em 2013. Desde então, a estrutura de rendimentos e de gastos do clube estabilizou e o passivo desceu. Já a SAD, depois da contenção inicialmente adoptada, expandiu-se nas últimas duas temporadas, nos custos e nas receitas. A época 2017/18 ficou ainda marcada pela subida abrupta do passivo da SAD, contraída com o investimento de quase 12 milhões de euros em passes de jogadores. Em virtude desse mesmo investimento, o ativo acompanhou essa subida do passivo.

Por Tiago Mendes Dias 

Os mais de 200 sócios do Vitória presentes, em 13 de outubro, no Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense, aprovaram as contas relativas a mais uma época desportiva, neste caso a época 2017/18. O relatório e contas em questão, aprovado por maioria, diz apenas respeito à atividade do clube. Desde a época 2012/13, o Vitória elabora anualmente dois relatórios e contas para espelhar o que fez ao longo da época desportiva: o do clube, que continua a tutelar as modalidades, as piscinas e as camadas de futebol de formação abaixo dos 11 anos, e o da SAD, que regula todo o futebol vitoriano acima dos 11 anos, inclusive o profissional. O Duas Caras, porém, analisa, neste artigo, os resultados financeiros do Vitória desde a época 2017/18, com recurso aos relatórios e contas do Vitória, quer os do clube, quer os da SAD, e ainda a algumas notícias do portal Guimarães Digital e da Lusa, através do portal Sapo Desporto.

Lucros recentes substituem norma de prejuízo

Os resultados líquidos apresentados desde a época 2007/08, desportivamente marcada pelo apuramento para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, após o terceiro lugar no campeonato de futebol, pelo título nacional de voleibol e pela primeira Taça de Portugal arrecadada no basquetebol, mostram que o Vitória passou recentemente para terreno positivo, quer na atividade do clube, quer na da SAD.

Constituída em 10 de Abril de 2013, para albergar o futebol profissional e o futebol de formação, do escalão de infantis ao de juniores, a SAD teve prejuízos superiores a dois milhões de euros nas duas primeiras épocas de atividade (2012/13 e 2013/14), mas, a partir da temporada seguinte, terminou sempre com lucro. O lucro, contudo, nem sempre foi crescente: depois de ter subido dos 363.000 para os 2,8 milhões de euros, na época 2016/17, caiu para os 810.000 euros, na época anterior.

Enquanto deteve o futebol profissional, o clube apresentou lucrou um milhão de euros na época 2008/09, na qual disputou o acesso à Liga dos Campeões com os suíços do Basileia e, posteriormente, a primeira eliminatória da Taça UEFA, com os ingleses do Portsmouth. Os restantes exercícios entre 2007/08 e 2011/12, sob a presidência de Emílio Macedo da Silva, terminaram sempre no “vermelho”. O prejuízo, contudo, disparou na época 2011/12, atingindo os oito milhões de euros. A situação financeira tornou-se então protagonista no quotidiano vitoriano, com jogadores como Nuno Assis a assumirem a existência de salários em atraso, em Janeiro de 2012. O relatório e contas da época 2010/11 estava ainda por aprovar, depois de ter sido chumbado na assembleia geral de Outubro de 2011. O então presidente acabou por se demitir em 06 de Fevereiro, abrindo caminho à realização de eleições antecipadas, que viriam a ser ganhas pelo atual presidente, Júlio Mendes – obteve 63% dos votos na disputa com Pinto Brasil.

Em 2012/13, época de conquista da primeira Taça de Portugal no futebol e da segunda no basquetebol, o clube ainda deteve o futebol profissional até Abril, tendo registado um prejuízo superior a dois milhões de euros, mas, a partir da época 2013/14, com a redução da dimensão económica, os prejuízos foram sempre inferiores a um milhão.

Nas épocas 2016/17 e 2017/18, o clube aproveitou os lucros obtidos pela SAD para inscrever, enquanto detentor de 40% do capital da sociedade, a fatia de lucro a que tinha direito nas receitas dessas épocas e obter lucros: 800.000 euros, em 2016/17, e 300.000, em 2017/18.

O resultado final das operações do clube ou da SAD, ao longo de uma época – dura de 01 de julho a 30 de junho -, inclui os pagamentos de juros, de impostos, de depreciações (perda de valor relacionada com os bens físicos que possui) e de amortizações (perda de valor associada a bens intangíveis, como os passes de jogadores). Excluindo esses quatro fatores, o Vitória foi apresentando saldos positivos entre rendimentos e gastos, o chamado EBITDA, salvo quatro exercícios – o pior resultado verificou-se na época 2011/12 (défice de 5,3 milhões), seguido das épocas 2007/08 (2,2 milhões) e 2012/13, quer com o clube (568.000 euros), quer com a então recém-criada SAD (477.000 euros).

Nas últimas 11 épocas, as receitas anuais do Vitória oscilaram entre os 9,5 milhões de euros, na época 2007/08, e os 26 milhões de euros, na época passada, juntando os rendimentos da SAD (21 milhões) e os do clube (cinco milhões); na época 2017/18, a receita total do Vitória foi, na realidade, mais pequena, uma vez que há receitas do clube que são gastos da SAD e vice-versa – o clube, por exemplo, entregou à SAD 57% do valor angariado com quotas e angariação de novos sócios (1,25 milhões de euros), mas recebeu 120.000 euros pelo arrendamento do estádio e ainda uma outra verba pela cedência de funcionários à SAD.

Até 2011/12, a última época em que toda a atividade esteve sob a alçada do clube, as vendas oscilaram entre os 7,1 milhões de euros, em 2007/08, e os 9,2 milhões, nas épocas 2008/09 e 2009/10. Nesse capítulo, os direitos televisivos e a publicidade cotaram-se então como a principal fonte de rendimento – entre 4,5 a 4,8 milhões de euros -, seguindo-se as quotizações (1,4 a 1,7 milhões), os lugares anuais (520.000 a 650.000) e a bilheteira – depois de ter atingido o milhão, em 2008/09, caiu depois para os 430.000 euros.

Nesse período, as épocas com maior receita anual acabaram por ser aquelas em que o Vitória mais arrecadou com transferências de jogadores. Na época 2008/09, o clube obteve mais de cinco milhões em transferências, entre as quais se incluíram as do central Geromel, aos alemães do Colónia, e do ponta de lança Mrdakovic, ao Shandong Luneng, da China, e totalizou 15,6 milhões de euros de receita. Já, na época 2010/11, o Vitória chegou aos 16,1 milhões de euros, depois de ter conseguido mais de sete milhões de euros em transferências, entre as quais se destaca a de Bebé, para o Manchester United – o clube recebeu 5,4 milhões e a Gestifute, empresa do agente Jorge Mendes arrecadou os restantes 3,6 milhões dos nove pagos pelos ingleses.

A partir da época 2012/13, as atividades do Vitória passaram a estar repartidas. Com a passagem do futebol profissional para a SAD, também as receitas com vendas de passes de jogadores e com direitos televisivos mudaram de esfera. Uma fatia da quotização – 85% da receita nessa época e 57% nas seguintes – passou também a reverter para a sociedade.

Como a SAD foi constituída em 10 de Abril de 2013, já no final da época desportiva, o clube ainda apresenta nesse exercício uma receita maior (8,2 milhões de euros) face à recém-criada sociedade (3,1 milhões).

Mas a situação inverteu-se nas temporadas seguintes. Os rendimentos do clube, dependentes principalmente das quotas, da atividade das modalidades, da rentabilização do seu património e da cedência de funcionários à SAD, oscilaram entre os quatro milhões de euros, na época 2015/16, e os 5,3 milhões, em 2016/17. Já os rendimentos da SAD praticamente dobraram entre 2013/14 e 2017/18, dos 10,5 milhões para os 21 milhões.

Compras e vendas de jogadores alcançam casa dos 10 milhões

Pouco mais de 50% da receita da época passada – 10,7 milhões em 21 – resultou das transferências e dos ganhos obtidos com percentagens dos passes de jogadores vendidos anteriormente; os jogadores que mais proveito garantiram à SAD foram Bruno Gaspar (2,8 milhões de euros), Ricardo (2,1), Josué (1,7) e Zungu (1,4). Mas 2017/18 também aquela em que o Vitória mais investiu em passes de jogadores, quer em contratações, quer no reforço dos direitos económicos de futebolistas que já tinham contrato, como Raphinha (200.000 euros). Ao todo, a SAD vitoriana despendeu 11,9 milhões de euros em 14 futebolistas, com Pedro Henrique, contratado inicialmente por empréstimo do Cianorte, do Brasil, na época 2015/16, a cotar-se como o maior investimento (2,04 milhões de euros). Os colombianos Oscar Estupiñán, recrutado ao Once Caldas, da Colômbia, na época passada, por dois milhões, Celis, garantido a título definitivo por 1,75 milhões, após ter sido emprestado pelo Benfica, na época 2016/17, e Rincón, contratado aos argentinos do Tigre, por 1,65 milhões, foram outras compras significativas.

Entre 2008/09 e 2011/12, as últimas quatro épocas em que o futebol profissional esteve sob a alçada do clube, o investimento em passes nunca ultrapassou os dois milhões de euros em cada ano. Nesse período, a temporada em que o Vitória mais investiu foi a de 2010/11 (1,71 milhões de euros); as contratações mais dispendiosas foram a do central N’Diaye (588.000 euros), do médio Marcelo Toscano (469.000 euros) e do também médio Barrientos (361.270 euros) – o uruguaio foi contratado para a época seguinte, apesar do investimento ter sido contado em 2010/11. O jogador mais caro desse período foi, contudo, o ponta de lança Soudani, contratado, na época 2011/12, ao ASO Chlef, da sua Argélia natal, por 620.000 euros.

Nesse período, a venda mais rentável foi a de Bebé, para o Manchester United, em 2010/11, depois de ter sido recrutado ao Estrela da Amadora nessa mesma pré-temporada. Nesses quatro anos, o Vitória acabou por encaixar mais de 15 milhões de euros com as vendas de passes de jogadores como o já referido Geromel, Nuno Assis e Faouzi, ambos vendidos ao Al Ittihad, da Arábia Saudita, e Rui Miguel, transferido para o Krasnodar, da Rússia.

Da época 2012/13, o Vitória não esclareceu, nos relatórios e contas da SAD, quais os valores totais por época despendidos nas compras de jogadores e arrecadado nas vendas. Nesse período, o Vitória vendeu, por exemplo, Tiago Rodrigues, Ricardo, Hernâni, André André e Soares, ao Porto, Paulo Oliveira, ao Sporting, Bernard, ao Atlético de Madrid, Traoré, ao Basileia, Cafú, ao Lorient, Dalbert, ao Nice, e Bruno Gaspar, à Fiorentina. Através dos relatórios e contas de FC Porto e Sporting, ficou, por exemplo, a saber-se que os azuis e brancos compraram 75% do passe do extremo por 2,9 milhões de euros e que os lisboetas compraram 90% dos direitos do central agora ao serviço dos bascos do Eibar por 1,8 milhões.

Embora falte informação relativa às compras e vendas nos relatórios e contas do Vitória, os valores das vendas são incluídos na rubrica Outros Rendimentos e Ganhos – na época passada, por exemplo, a SAD do Vitória apresentou 11 milhões nessa rubrica, depois de ter recebido 10,7 milhões em transferências. As variações registadas  ao longo das épocas, nesse capítulo, refletem normalmente a maior ou menor apetência do Vitória para vender jogadores. Além da temporada passada, os exercícios em que o Vitória obteve mais receitas foram os de 2010/11 (7,2 milhões), no qual vendeu Bebé, de 2008/09, em que vendeu Geromel, e de 2016/17, na qual vendeu Dalbert, Soares e João Pedro (LA Galaxy). A época com menor rendimento neste campo foi a de 2013/14 (1,5 milhões de euros).

Seis anos depois de um corte abrupto, gastos voltam a subir

Desde 2007, a estrutura de custos do Vitória apresentou três tendências. Até 2011/12, sob a direção presidida por Emílio Macedo da Silva, os gastos, de 11,7 milhões de euros, em 2007/08, cresceram até aos 16,4 milhões – pelo meio, houve uma quebra entre as épocas 2008/09 e 2009/10.

A política de gastos mudou na época 2012/13. A nova direção, liderada por Júlio Mendes, priorizou o abatimento do passivo do clube – atingiu os 24 milhões no final da época 2011/12 – e conseguiu, junto do IAPMEI, a aprovação de um Plano Extrajudicial de Conciliação (PEC), que incorporou 11,7 milhões de euros de dívida, mais de dois terços do valor em falta para com o Estado e os bancos (120), bem como os credores privados que aceitaram o plano.

Na época 2012/13, os gastos do clube caíram quase para metade face à época anterior (8,8 milhões) e os da SAD cifraram-se em 3,5 milhões, apesar de alguns dos custos de uma entidade equivalerem a receitas da outra. O nível das despesas manteve-se nas duas épocas seguintes, mas com a SAD a assumir a maior fatia. A partir da época 2015/16, os gastos da SAD ultrapassaram a fasquia dos 10 milhões de euros, aproximando-se dos 16 milhões na temporada transata.

A maior porção dos custos destina-se ao pessoal, desde o futebol (jogadores e treinadores) aos funcionários, passando pela administração da SAD. Os gastos com pessoal apresentaram, ao longo dos últimos 11 anos, a mesma tendência dos gastos totais. A larga maioria desses gastos respeita aos salários. O valor recebido pelos funcionários do Vitória cresceu dos 6,3 para os 9,1 milhões de euros, entre 2009/10 e 2011/12, antes de, na época seguinte, ter caído para os 5,6 milhões – total do clube e da SAD. Após um decréscimo ligeiro nas duas épocas que se seguiram, as remunerações subiram nas últimas três épocas, tendo-se fixado nos 8,3 milhões na época passada – desse valor, 6,7 milhões contemplaram o futebol profissional.

O número de funcionários, por seu turno, não sofreu qualquer descida desde 2008/09. O Vitória decidiu criar uma equipa B na época 2012/13, e, depois de ter contado, em 2011/12, com 110 funcionários, continuou a aumentar o pessoal ao seu serviço. Na última temporada, atingiu um máximo de 154 funcionários – 38 ao serviço do clube e 116 ao serviço da SAD, onde se incluíram 69 jogadores e 15 treinadores.

Passivo do clube baixa 15 milhões em seis anos

Nos últimos 11 anos, tornou-se comum falar de passivo no quotidiano vitoriano. Este conceito engloba, no fundo, o valor de todas as obrigações do Vitória para com outras entidades e inclui as dívidas. Entre as épocas 2007/08 e 2010/11, este valor oscilou entre os 13,9 e os 15,6 milhões de euros. Na época 2010/11, 95% do passivo total (15,1 milhões) era corrente – obrigações que têm de ser saldadas a curto prazo, normalmente num ano. No relatório e contas alusivo a essa época, o conselho fiscal, então presidido por Amaro Costa e Silva, frisou que a “realização de um valor superior a sete milhões de euros” em vendas de jogadores “deveria ter proporcionando uma redução do passivo”. Nesse parecer, podia-se ainda ler que o crescimento de custos e o aumento das dívidas ao Estado deveriam “merecer reflexão sob pena de insustentabilidade futura da gestão do clube”.

O passivo cresceu 59% na época seguinte e atingiu os 24 milhões de euros. Mais do que isso, o valor do ativo, constituído na sua maioria pelos bens físicos que o clube detém – Estádio D. Afonso Henriques, academia, pavilhão e viaturas, por exemplo – e também pelo conjunto dos passes dos jogadores, então avaliado em 1,3 milhões, caiu para os 40,2 milhões. O decréscimo do ativo e o aumento do passivo ditaram uma queda do capital próprio do clube, dos 26 para os 16,2 milhões.

Face à situação financeira da altura, a direção vitoriana negociou um PEC com os credores. Esse plano incluiu 5,5 milhões de euros de dívida aos bancos, com um prazo de pagamento de 120 prestações mensais, três milhões às Finanças e 1,4 milhões à Segurança Social, com 150 prestações, e 1,8 milhões a credores privados, com 60 prestações. Até ao final da época 2017/18, o Vitória já pagou aos bancos e ao Estado 2,5 dos 9,9 milhões negociados com essas entidades no PEC.

Já o passivo corrente desceu dos 13,1 milhões, no final da época 2011/12, para os 5,4 milhões, no final da época seguinte. Essa queda prolongou-se nas épocas seguintes, e o valor fixou-se nos 2,4 milhões de euros, no final da última temporada. O passivo global também sofreu uma redução constante nesse período, de cerca de 62%, passando dos 24 para os 8,9 milhões de euros. Esse abate incluiu a redução das dívidas totais aos principais credores: a das Finanças caiu dos três para os 1,7 milhões, a da Segurança Social desceu dos 1,5 milhões para os 866.000 euros e dos bancos baixou dos 7,6 para os 4,8 milhões.

Ainda na época 2012/13, o clube apresentou uma recuperação do capital próprio – subiu para os 28 milhões de euros – e um crescimento do ativo para os 44,4 milhões, apesar da perda dos passes de jogadores para a SAD. Esse crescimento do ativo deveu-se precisamente à “aquisição” dos contratos do plantel de futebol profissional e do futebol de formação, bem como de algumas viaturas, pela SAD ao clube. A SAD valorizou esses ativos em 15,8 milhões de euros, convertendo desse valor 14,7 milhões de euros em dívida ao clube (suprimentos). Logo no final da época 2012/13, essa dívida caiu para os oito milhões. Posteriormente, a SAD foi abatendo essa dívida, situada, no final da época 2017/18, nos 2,3 milhões de euros.

Até à temporada transata, o ativo do clube caiu para os 35,8 milhões de euros, fruto, sobretudo, das quebras de valor do património imobiliário que possui, mas também da redução dos tais suprimentos. Já o capital próprio era de 26 milhões de euros, no final da época 2017/18.

Passivo da SAD dispara na época passada com investimento em jogadores

A SAD vitoriana terminou a primeira época em atividade (2012/13), com um passivo de 13,9 milhões de euros, valor assente sobretudo na dívida para com o clube em função da compra do futebol profissional ao clube. O passivo flutuou sempre os 11 e os 13 milhões nas temporadas que se seguiram, até, na temporada 2017/18, ter crescido quase 50%, para se fixar nos 23 milhões. No relatório e contas referente à época passada, esse aumento reflete-se, sobretudo, na rubrica “Outras contas a pagar”, ligada sobretudo às aquisições de passes de jogadores – cresceu dos 4,2 milhões de euros para um valor total de 13,6 milhões.

O investimento em passes de 14 jogadores na época passada acabou por ser também o principal motivo para a valorização do ativo da SAD, dos 15,2 para os 26,2 milhões de euros. Já o capital próprio foi positivo pela segunda época consecutiva, cifrando-se nos 3,1 milhões. Até ao final da época 2015/16, a Vitória SAD apresentou sempre capitais próprios negativos, devido principalmente à perda de valor do ativo intangível (relacionado com o valor dos passes de jogadores). Ainda nessa época (2015/16), o Vitória acompanhou o aumento de capital social da SAD para os 4,5 milhões de euros, mantendo a posse de 40% das ações (1,8 milhões).