Dinheiro, “o único Deus vivo”

“Proclama-se aos quatro ventos que o dinheiro é a mola mestra do mundo! Que por dinheiro o homem remove montanhas, movimenta exércitos; agita políticos; engana crianças; vicia jovens; corrompe adultos; e esfomeia milhões de criaturas humanas!

O homem aluga o braço, a pena, a inteligência; vende por dinheiro a consciência, a dignidade, o carácter!

Por dinheiro o homem deixa-se corromper, por dinheiro o homem corrompe. É tudo uma questão de preço.

O dinheiro alimenta vaidades, o luxo, a empáfia dos ricos e sustenta a miséria dos pobres!

O dinheiro faz-se presente para atacar, defender, invadir, destruir, incendiar e matar! Sustenta as guerras, é a própria guerra!

O homem dentro da atual sociedade vale pelo dinheiro que tem ou que aparenta ter…Provoca desmandos, traições, aumenta a avareza, cria litígios jurídicos, diplomáticos, mercantis, bélicos, estabelece opressores e oprimidos, institui o espião e o carrasco! Faz correr rios de sangue!

Por dinheiro o homem torna-se brutal, violento, opressivo, invejoso, ganancioso, espoliador, conquistador, anti-humano. A condição que mais dignifica o homem está esvaiando-se diante dos interesses criados pelo dinheiro. A humanidade por causa do dinheiro desumanizou-se.

Ninguém mais faz nada por nada a ninguém sem visar vantagens, lucro, etc.

O dinheiro é o móbil da discórdia entre famílias; entre patrões e empregados, de guerras e ódios.

Que instrumento vil! Deve desaparecer da face da terra, para que o homem volte ao trabalho associado, livre, responsável e se torne cada homem um amigo da Humanidade, a comunidade das nações, uma grande família de irmãos convictos.

Dinheiro! Monstro capaz de dividir os homens, torna-los inimigos irreconciliáveis, seu valor simbólico é a maior desgraça da Humanidade!”

António Alvão, Reformado e militante da luta não abandonada.