Daqui a 12 anos, terei 44.

Por estas semanas, saiu um relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (notícia aqui) que diz sucintamente que temos 12 anos para evitar que a temperatura global da Terra suba 1,5 graus celsius desde o tempo pré-industrial. O estudo mostra que há um consenso na comunidade científica sobre este tema. Diz também que este aumento pode ocorrer já em 2030 – daqui a 12 anos.

Cruzar esta linha representa alterações climáticas extremas – secas profundas e chuvas torrenciais, subida do nível do mar e no abastecimento de água, entre outras coisas, como o aumento da mortalidade devido ao calor, maior risco de incêndios, extinção de fauna e flora, impacto na produção de alimentos, maior movimento migratório e falta de abastecimento de água potável.

Daqui a 12 anos, corremos o risco de já não haver retorno.

Nos próximos 12, 24, 30 anos, veremos a própria vida a degradar-se à nossa volta – era algo que pensava que não seria a minha geração a enfrentar e não seria certamente tão cedo, mas está aí à porta. Estas consequências do aquecimento global já se fazem sentir, só se agravarão com o tempo.

Depois de uma busca rápida no Goole encontro uma notícia do The Guardian que chama a atenção para um relatório “The Carbon Majors Database” que indica que há 100 empresas no mundo que são responsáveis por 71% das emissões de carbono mundiais. Apenas 100.

Podemos todos deixar de usar palhinhas e colheres de plástico, deixar de comer carne e usar apenas transportes públicos que ainda assim não conseguiríamos combater a pegada de carbono destas 100 empresas. O ônus da responsabilidade, perante um desafio destes, não pode estar no indivíduo e é tempo de mudarmos o teor da discussão para quem pode efectivamente fazer alguma coisa.

Os nossos representantes democraticamente eleitos nas várias esferas têm que ter um plano de acção. O poder da mudança está no sistema político e no sistema económico e teremos de ser cidadãos mais activos, no sentido de apurar responsabilidades e exigir acção àqueles que nos representam, para que consigamos pelo menos entregar o planeta que habitamos nas mesmas condições a que ele nos foi entregue a nós – ou o mais parecido possível.

Luísa Alvão, 33 anos, licenciada em Cinema, pela Universidade da Beira Interior e pós-graduada em Mediação Cultural – Estudos Comparados do Cinema e da Literatura pela Universidade do Minho. Gosta de contar histórias. Trabalha como programadora e produtora do Shortcutz Guimarães. É também fundadora e presidente da Capivara Azul – Associação Cultural.