Movimento Poético #4

Por César Elias

País

Se eu contasse a história de um país
Pediria a Cristo que não ouvisse isto
Vendaria todos os olhos de todas as crianças
Roubaria o papel de todos os poetas
Segaria as garras de todos os artistas
E mordaças em meus próprios dentes eu poria
Porque um país agora é isto
Isto que se tem visto
Isto que agora urge
E salve-se os clandestinos
Os de crenças e requebros
Vai tudo a eito
Sem nada
Sem glória
Sem respeito
Eu sou o pontífice dos clandestinos
Vigário da humildade
Profeta do sacrilégio.
Minha glória é não mais que palavras.
Reinventaram as coisas
Bordaram as algibeiras
Espáduas de amigos valem ouro
E ouro é coisa de igrejas

*rubrica cujo título é inspirado em António Gedeão