Movimento Poético #6

Por César Elias Monte Cavalinho Um dia verás uma árvore Uma árvore por entre as árvores Um dia esquecerás as sombras, o calor, o céu e as miragens Um dia verás Verás uma árvore Verás que será só tua, a fantasia No momento em que pararás, estanque Pensarás que sonhas um devaneio Ou um calvário, ou uma paixão Ficarás sem saber pensar Sem querer acreditar Nos talhos e curvas híbridas e perfeitas da tua árvore Verás, pois uma arvore Verás nela o erótico movimento de nádegas O exótico que te perfurará o olfacto abrotado Verás a o ziguezague de um … Continuar a ler Movimento Poético #6

Movimento Poético #5

Por César Elias Caminho Dá-me a tua mão São só cães que ladram É só o vento que te quer mais junto de mim Amar-te sem vertigem não seria amar-te Aceito a venda que me queres enlaçar E no som dos teus passos Eu vou pousando os meus pés Eu vou por onde fores Vou ficar onde quiseres sentar Qualquer lugar será lugar vazio Se teu cheiro nunca entrar *rubrica cujo título é inspirado em António Gedeão Continuar a ler Movimento Poético #5

Movimento Poético #4

Por César Elias País Se eu contasse a história de um país Pediria a Cristo que não ouvisse isto Vendaria todos os olhos de todas as crianças Roubaria o papel de todos os poetas Segaria as garras de todos os artistas E mordaças em meus próprios dentes eu poria Porque um país agora é isto Isto que se tem visto Isto que agora urge E salve-se os clandestinos Os de crenças e requebros Vai tudo a eito Sem nada Sem glória Sem respeito Eu sou o pontífice dos clandestinos Vigário da humildade Profeta do sacrilégio. Minha glória é não mais … Continuar a ler Movimento Poético #4

Movimento Poético #3

Por César Elias Esta noite Esta noite acabou Resta-me a chuva que cessou E que escoa brilhante pela avenida que fugiste Ainda te vejo sair quando fingia sonhar Ainda cheira à tua pele na minha Cheiro a forma de teu corpo que moldaste a meu lado No lugar que deixaste, gelado Toco-o e finjo sentir-te E tu sorris porque me olhas Só porque me olhas Esta noite acabou Mas eu vejo-te E desejo-te Tu que me usas, tu que me usaste Que desfazes o pouco de homem que me resta. Vai, parte, esconde-te de nós e regressa Eu sei que … Continuar a ler Movimento Poético #3

Movimento Poético #2

Por Nuno Freitas A lua dos corvos Já os fantasmas os chamam.. para brincar o outono de suas penas avulsas quando a noite os fecunda em bando à beleza madrasta de todas as luas vagas de vento fustigam Astúrias de seu aroma de fome necrófaga até ao restauro, da dança solene d’astúcia na gigante beleza desta lua teriomórfica Encriptam-se silêncios alheios… latos à sua singular submissão como companheiro da poesia de Odin… e corvo branco de Apolo, mensageiro de seu coração.. Assim ficou negro, negro de lindos tormentos.. a bardos feitiços do rapace da escuridão que demovem elencos… de um … Continuar a ler Movimento Poético #2