Uma ideia clara de cidade

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O pós-eleições autárquicas 2017 trouxe um debate à volta da “Ideia de Cidade” que o executivo municipal não teria. Alguns casos particulares, permitiram a alguma opinião pública e – ainda que a reboque – a oposição, colocassem em causa a existência de um projeto para Guimarães.
A propósito disto, no debate do “Contraponto” da Rádio Fundação deste fim-de-semana, tive oportunidade de voltar ao tema na sequência da uma discussão sobre o Centro Histórico de Guimarães (neste caso em perfeita unanimidade entre todos os presentes).
Esta reflexão vinha na sequência da intenção de alargamento da zona classificada pela UNESCO para Couros, área marcada por edificado da antiga indústria.
É em torno dos projetos que ali vão sendo concretizados que surge o “remate final” de uma cidade viva, em permanente evolução e em que os espaços com história dão lugar a recuperações marcantes, não cristalizadoras, mas capazes de dar nova função e utilidade.
Assim, à cidade que hoje conhecemos, começa a ser acrescentado uma área que requalificará o último espaço do centro do concelho que não seguia a mesma bitola dos restantes.
O histórico dá-nos já o Instituto de Design e o Centro de Ciência Viva – Curtir Ciência (acabado de celebrar 3 anos com 80 mil visitantes), a Universidade das Nações Unidas, Salas de Ensaio e o curso de Teatro da UM, que foram circundar os já instalados espaços da Fraterna e Pousada da Juventude.
Por muito que não pareça evidente à primeira vista, bastará pegar no mapa da cidade para perceber que esta área é, através de ruas e vielas, uma sequência lógica de uma mancha que se estende Caldeiroa “abaixo” até ao CAAA, Mercado e Feira Semanal, e “Conde Margaride” acima até Casa da Memória de Guimarães e CIAJG.
Se no meio deste percurso, já sabemos, surgirá nos próximos 2 anos de forma definitiva, o Teatro Jordão e Garagem Avenida, com obra a começar no próximo mês e instalação do curso de Artes Visuais da UM e Conservatório de Guimarães, e o Parque de Camões;
Se na extensão a Oeste encontraremos a Escola Hotel, em parceria com o IPCA e a recuperação dos Fornos da Cruz de Pedra, ficamos a perceber na realidade aquilo que hoje conseguimos identificar no papel: um contínuo da cidade até ao Multiusos, Guimarães Shopping, Monte Cavalinho e Estação da CP (onde também já se conhece novo e estruturante projeto), Toural e atual Centro Histórico classificado.
Todo este processo será necessariamente acompanhado por uma atenção cuidada com as vias circundantes: Av. D. Afonso Henriques, Caldeiroa, Camões, Liberdade e D. João I.
Ficará a faltar o quarteirão entre a Fábrica do Cavalinho e a Cruz de Pedra, mas sendo todo o espaço privado, poderá ter tempos diferentes. Mas o contágio de toda uma zona em regeneração dificilmente deixará que aqueles terrenos continuem “parados”.
Esta é uma ideia de cidade muito clara. Planeada, desenhada e toda ela a conhecer passos seguros para a sua concretização. Não será uma realidade para 2019, mas é já no próximo ano que muitos destes projetos conhecem ora concretização, ora obra, ora projeto.

Paulo Lopes Silva, 31 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.