Boas Festas!

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O mês de Dezembro enche-se de cores e de música. O frio que se faz sentir na rua não nos impede de ir passear com a família e os amigos para ver a luzes de Natal, o Pinheiro (o nosso, de Guimarães, que é especial) e quem sabe os diferentes presépios em todas as igrejas.

Sim, o Natal é cada vez mais uma festa de reunião de amigos e familiares. Aproveitamos o feriado e os dias de férias para voltar à terra, para rever os familiares mais velhos, para encher os mais novos de presentes e de mimos.
Partilhamos presentes mais ou menos necessários para a nossa sobrevivência na terra, mas o importante é sentirmos que alguém se lembrou de nós e nesta partilha de objectos vem sobretudo o prazer de dar e de receber.

Entre o pinheiro carregado de prendas e a mesa plena de comida, o Natal deveria ser momento de reflexão e de menor entusiasmo ao nível do desperdício.

Na mesa da consoada, ou na mesa do jantar do dia 24 de Dezembro, tem que haver travessas cheias e ninguém pode sequer ousar dizer que não tem apetite. Os doces são em número incalculável e nem sequer conseguimos compreender como é que sobrevivemos ao longo do ano sem tantas sobremesas carregadas de doçura.

Por isso, neste e nos próximos natais podíamos tentar olhar para a ementa e para o número de convidados e perceber se é mesmo necessária tanta comida. Perceber se a cada festa de final de ano somos capazes de não desperdiçar. Comprar os alimentos no mercado, nos produtores locais, mais frescos e com um pegada ecológica mais pequena é essencial para os próximos natais.

O desperdício alimentar é um problema em todo o mundo, neste em que vivemos em que uns têm tanto e outros tão pouco.

Os presentes podem ser mais didácticos, de materiais biodegradáveis, comprados no comércio tradicional. Existem imensas opções amigas do ambiente que podemos começar a introduzir no nosso dia-a-dia e no dia-a-dia daqueles que mais gostamos. Produtos naturais embalados em papel reciclado. Podemos também comprar artesanato, peças únicas, que farão a delícia de quem as recebe e que ajudarão na economia local.

Desliguem-se as tecnologias e converse-se à volta da mesa ou da lareira. Isto se o Inverno que entrou ontem não nos tramar e vier acompanhado de temperaturas altas e dias cheios de sol. Assim são os natais do nosso presente, carregados de surpresas e de mudanças. Mudar para melhor é sempre um passo importante, mudar para recuperar tempos que parecem perdidos num passado tão próximo deve ser um objectivo.

No entanto, só com mudanças radicais, que a todos dizem respeito, seremos capazes de oferecer às futuras gerações natais tão reconfortantes como os que temos na lembrança e que ainda vamos mantendo. As alterações climáticas não vêm no trenó do Pai Natal, elas já se instalaram, agora é tempo de as minimizarmos.

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.