Parlamento Jovem

Pode ser um lugar-comum dizer que os jovens são o futuro, mas é neles que se depositam todas as nossas expectativas. E cada um de nós espera de alguma forma, conseguir influenciá-los o mais possível, naquilo que são os nossos pensamentos, a nossa visão do mundo e da sociedade que queremos para o futuro mais próximo.

Por vezes seremos confrontados com algumas frustrações, os jovens não têm os mesmos interesses, as mesmas preocupações e nem os mesmos sonhos. Não raras vezes ouvimos apelidá-los de alienados, como estando apenas interessados nas oportunidades e diversões das novas tecnologias, do imediato e instantâneo.

Pese embora seja uma realidade, é apenas a realidade de alguns, outros há que se interessam por questões mais profundas e de reflexão, havendo motivos para um pensamento positivo no futuro. Prova disso é o número cada vez maior de escolas que participam no Parlamento Jovem.

Desde o seu início no ano lectivo 2001/2002 o número tem vindo a aumentar, de 125 escolas participantes, hoje o número é de 983, o que revela o interesse não só pelos temas escolhidos mas também pelo funcionamento da Assembleia da República e da política de uma forma geral.

As alterações climáticas, como reverter o aquecimento global e medidas que contribuam para a limpeza dos oceanos é o tema deste ano, e o nível de participantes demonstra que este é um tema cativante e que envolve a todos em torno da sua discussão na procura conjunta de soluções de futuro.

É com muito agrado que vejo a forma como expõem as suas ideias e propostas mais ou menos estruturadas, mas que rebatem o sentimento de afastamento dos jovens às questões que os rodeiam, mostram estar cada vez mais preparados para serem uma geração interventiva e socialmente atenta.

De ressalvar também o interesse que demonstram em perceber como funciona a Assembleia da República, tanto na discussão dos temas, na votação das propostas apresentadas pelos vários partidos, comissões, etc. como é bom perceber que os jovens, ao contrario do que muitas vezes é dito, se interessam e se envolvem, querem ser parte activa e interventiva na sociedade do amanhã da qual serão parte integrante no pleno gozo dos seus direitos.

Quanto mais cedo perceberem que fazem parte do todo, com direitos e deveres, dispostos a lutar por uma sociedade cada vez mais plural e democrática, mais estaremos no caminho certo.

Não posso terminar sem deixar uma palavra de reconhecimento às escolas e aos professores que com os alunos trabalharam, e que desta forma os ajudam a ganhar asas para voos mais altos.

Sónia Cristina Patrocínio Gonçalo Ribeiro, 43 anos, é coordenadora da concelhia de Guimarães do Bloco de Esquerda, membro da distrital do BE e presidente do CESMINHO- Sindicato do Comércio Escritórios e Serviços do Minho.