Por César Elias
Deus
Não me peças que te ame
Não
Nunca me supliques que te dê amor Ó Deus
Tu estás morto
A aura é vento estanque que nos abrasa o sossego de viver.
Vazo o chá na chávena fria
E no reflexo da água que esfria
Eu não te vejo
Deus
Eu estou perto de ser a fome
Mas muitas mais carcaças do que a minha
São jazigos sem mármore
São história disforme
Cadáveres indeterminados
Famintos militantes do inferno
Eu estou perto de rezar
Mas a brisa é ainda assim quente
Já ninguém reza porque mente
Em nenhures te esperam encontrar.
Eu não te vejo, Deus
*rubrica cujo título é inspirado em António Gedeão
Foto: Elisabete Pereira Rodrigues
