Um observatório para o Rio Ave

Não se compreende que entre Vieira do Minho e Vila do Conde não tenha sido, ainda, criado um observatório para o Rio Ave. Um observatório que monitorize, fiscalize, que centre a sua ação e concentre as instituições que trabalham sobre aquele que já foi o curso de água mais poluído na Europa.  Hoje já não é assim apesar de haver muito ainda a fazer.

E talvez por esse motivo a Câmara Municipal tenha colocado na agenda política vimaranense a necessidade de adotar medidas para a despoluição do Rio Ave. Foi assim em 2015 quando juntou à volta da mesma mesa as 21 entidades com competências e atribuições sobre este recurso hídrico e que em conjunto elaboraram um Plano para a despoluição do Rio Ave.

E se observarmos esta iniciativa da Câmara Municipal de Guimarães, ela tem tanta mais relevância quando todos sabemos que não é matéria do Município de Guimarães a despoluição do Rio Ave. E compreende-se. Não é possível despoluir o trecho do Rio Ave em Guimarães, se na Póvoa de Lanhoso, em Famalicão ou em Santo Tirso se mantêm os focos de poluição.

Em Guimarães por mais voltas que se queria dar o Rio Ave é o principal recurso hídrico do Concelho. É esta a principal fonte de abastecimento de água dos vimaranenses, por exemplo. É este o maior curso e é sobre este que todas as entidades, nacionais e regionais e locais com competência para gerir este recurso hídrico devem centrar a sua ação. Depois o Rio Vizela, o Rio Selho, o Rio Couros e os ribeiros e ribeirinhos que todos conhecemos.

Por isso olhando para a iniciativa do PSD poderíamos julgar-se que é boa a intenção de convocar todas as suas estruturas partidárias para este tema. Porém, o problema é como diz o adágio: de boas intenções está o inferno cheio.

Primeiro A sensação que fica é que o PSD, em Guimarães e na região, se junta a esta causa com quatro anos de atraso, considerando o trabalho que já está a ser desenvolvido desde que o Município de Guimarães sentou à mesa 21 instituições em 2015. Depois porque esta intenção nasce num dia e morre no dia seguinte. Não são os municípios e muito menos as estruturas partidárias quem conseguirão “despoluir o rio ave”.

Este expediente adensa assim a ideia de que o PSD em Guimarães faz uma prova de vida diária. Tudo serve para fazer ruído, encher jornais e estimular as redes. Por outro lado, este número também não é alheio ao período eleitoral que se avizinha.

Mas quando se trata do Rio Ave talvez fosse bom sabermos do que estamos a falar. Não basta propaganda. À oposição talvez fosse mais produtivo pedir ao Município que sente novamente as 21 instituições que elaboraram o Plano para a Despoluição do Rio Ave. E já agora que cada uma diga nestes quatro anos que avanços tivemos.

Se nada aprenderam desde 2015 faço eu o papel de apelar ao Senhor Presidente para que continue a liderar nesta matéria do Rio Ave. É preciso convocar e sentar todas as instituições que têm obrigação de fazer o que todos queremos: “despoluir o Rio Ave”. É preciso que peça e que preste contas porque é essa a missão que os eleitores nos confiaram.

Luís Soares, 35 anos, Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra. Lidera a Concelhia do Partido Socialista em Guimarães desde 2018 e desempenha o mandato de Deputado à Assembleia da República e de Presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, Vila das Taipas.