A arte de propagandear e nada fazer

O que há em mim é, sobretudo, propaganda. Esta frase, roubada de Álvaro de Campos (e adaptada por mim), tanto serve a António Costa como a Domingos Bragança. A cartilha é, rigorosamente, a mesma. Hoje, porém, no rescaldo da moção de censura ao primeiro, quero concentrar-me no último e na censura que também a governação dos destinos vimaranenses já merece.

Em vésperas de eleições autárquicas, foram muitas as juras de amor eterno e as promessas de fidelidade que Domingos Bragança fez a Guimarães e às suas gentes. Do nó de Silvares à requalificação viária do concelho, até à despoluição do Rio Ave aos transportes públicos ou à Plataforma das Artes, tudo, absolutamente tudo, estava, então, em vias de resolução ou, até já, em execução.

Hoje, praticamente um ano e meio depois, nada, rigorosamente nada, aconteceu. O desnivelamento do nó de Silvares, teoricamente já em execução há um ano e meio, nem vê-lo; da requalificação viária do concelho, só vimos, até agora, uma ciclovia mal amanhada no lugar do que ia ser uma estrada estruturante da cidade; da despoluição do Rio Ave, nem plano, nem acção; nos transportes públicos, só mesmo o aumento do financiamento dos vimaranenses aos transportes de Lisboa e Porto; a Plataforma das Artes, essa que ia ter uma solução perene vinda do Governo central, recebeu 200 mil euros e, agora, irá talvez ser repensada, pela terceira vez…

Não contente, porém, o inexcedível Domingos Bragança somou a estas promessas outras tantas que, não obstante serem da responsabilidade do Governo central, o magnânimo edil, à falta de resposta daquele, entendeu por bem substituir. É a comparticipação para a requalificação da urgência do Hospital de Guimarães – que não serve apenas os vimaranenses, note-se –, os projectos de intervenção dos postos da GNR de Lordelo e das Taipas, a relocalização do Tribunal de Creixomil, a requalificação dos bairros sociais da responsabilidade do IRHU ou a assunção de responsabilidades no âmbito do processo de descentralização, que 1/3 das câmaras já rejeitou por falta de baias, recursos e verba. E, bem, quanto a estas, arrancaram há dois dias as obras do hospital… Nem mais, nem menos.

À imagem e semelhança de António Costa, Domingos Bragança é pródigo na arte de propagandear mas falho na arte de cumprir e executar. Prometeu tudo a todos mas, até agora, praticamente nada cumpriu. Com uma agravante: todos estes compromissos, incluindo os que cabia ao Governo central executar e/ou pagar, são feitos por uma Câmara com uma dívida que não é desprezível e que, por isso mesmo, não se pode dar ao luxo de, sem mais contrapartida ou vantagem, esbanjar. Mas pior, embora tristemente usual na governação socialista: quando a dívida da autarquia começava, finalmente, a ser reduzida, a Câmara vem anunciar a contratação de mais um empréstimo, desta feita de 10 milhões de euros. Resta saber para quê.

Vânia Dias da Silva, 40 anos, residente em Guimarães, jurista, Deputada à AR eleita pelo círculo eleitoral de Braga nas listas do CDS-PP. Membro da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e da Comissão de Cultura. Vogal da Comissão Política Nacional do CDS-PP.