Reserva de Valor, por João Pedro Pinto

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A importância do financiamento na atual dinâmica da economia Portuguesa ganha especial relevo num ano em que a previsão do Banco de Portugal para a formação bruta de capital fixo (rubrica referente ao investimento privado sem levar em linha de conta os stocks) é de 6,6% do PIB, depois de um 2018 de desaceleração, tendo ficado apenas nos 3,9%.

Sabemos que o financiamento é catalisador do investimento privado, revestindo grande importância para a sua execução, pelo que a diversificação das suas fontes é fator crítico de sucesso e crescimento dos Países. É aqui que se tem sentido uma importante evolução, sobretudo a nível nacional, na oferta às empresas. Nos últimos anos temos assistido ao surgimento de uma série de soluções e ferramentas de financiamento que não as tradicionais fontes de financiamento bancário clássico.

Por um lado, o facto da maior abertura da economia nacional ao exterior, seduz atualmente investidores de todo o mundo, por outro lado pelo surgimento de diferentes soluções, como é o caso de algumas disponibilizadas pelas Fintech, empresas tecnológicas que atuam no mercado financeiro.

Hoje já é possível em Portugal e comum noutros Países, uma startup ou uma PME financiar-se em plataformas digitais que unem empresas e investidores (individuais e coletivos). É o caso de empresas como a Raize, a Edebex ou a Seedrs. A Raize (portuguesa e cotada em bolsa) atua como um intermediário de financiamento para empresas, fazendo a ligação entre estas e os investidores com capital para investir. A Edebex, permite às PME vender as suas faturas não liquidadas aos investidores que as queiram comprar na plataforma. A Seedrs, é a maior plataforma de financiamento coletivo europeu e permite a qualquer pessoa financiar startups presentes na plataforma, a partir de 10 euros.

As empresas financiadas no âmbito destes mercados comunitários, são em muitos casos empresas que teriam dificuldades em financiar-se na banca, ou por serem negócios de maior risco, ou porque estamos a falar de produtos/serviços e modelos de negócio disruptivos que os sistemas clássicos de análise de risco da banca, não estão preparados ou interessados em financiar.

Desde 2010, foram investidos mais de 50 mil milhões de dólares no desenvolvimento de Fintechs, à medida que estas startups redefinem a forma como se guarda, poupa, empresta, investe, gasta e protege o dinheiro.

Com este entusiasmo, seguramente os próximos anos serão revolucionários para o setor financeiro e para a forma como as pessoas e as empresas empregam o seu dinheiro na economia.

João Pedro Pinto (https://www.linkedin.com/in/joaopinto1/), 32 anos, é licenciado em Ciências Económicas e Empresariais.