LA FAMIGLIA

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Neste artigo (já ligeiramente atrasado), vou inspirar-me no Tony Carreira e vou por isso limitar-me a plagiar reflexões de outros. Mas prometo identificar as fontes! Vou de uma afirmação nacional para uma pergunta local.

E começo logo pelo título que escolhi, que plagiei do excelente artigo do Miguel Poiares Maduro no JN, mas mas adaptado a uma expressão usada localmente, na fantástica campanha de angariação de sócios que o Vitória fez em 2008.

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A semana que passou foi marcada pela remodelação governamental. A sexta em menos de quatro anos. E essa remodelação em concreto foi marcada pela elevada consanguinidade que a mesma revela. Consanguinidade essa que exibe também “a descontra” com que António Costa faz esta coisas. No fundo, está-se a matar para o que dizem para aí da “mulher de César”…

Tive oportunidade de reagir , em nome do PSD, a esta remodelação governamental e à sua particular característica de termos, no mesmo Governo, marido e mulher e agora, pai e filha. Tudo normal no Reino de Portugal. Aliás, na altura, nas declarações que fiz à Lusa e à Rádio Renascença usei o exemplo da série norte-americana “All in the Family” que tanto nos agarrou à televisão nos anos 80, protagonizada pelo irascível republicano Archie Bunker…

Talvez seja defeito de estar a ficar velho porque muita gente mais nova me abordou a dizer que não tinha percebido a piada…

Voltando ao plágio, diz-nos o Miguel Poiares Maduro: “Quando procurei saber de precedentes junto de colegas estrangeiros a reação foi de choque. Disse-me um: não está em causa o possível mérito dos selecionados, mas sim a restrição do universo de seleção. Uma tão elevada concentração familiar significa que alguns têm mais oportunidades de demonstrar o seu mérito do que outros.

Ainda sobre o mesmo tema, João Miguel Tavares, agora no Público, fala sobre a lista de convidados para os anos de António Costa dizendo, a propósito, que “Talvez com a ilustre excepção da Casa Branca de Donald Trump, não há certamente outra democracia ocidental que tenha o número de relações familiares do Conselho de Ministros da República Portuguesa – e se alargarmos a análise dessas relações a toda a família socialista, os resultados são de cair o queixo. Será preciso recuar até ao reinado de D. Carlos para encontrar uma corte com o nível de consanguinidade do governo de António Costa. Portugal é, neste momento, a república mais aristocrática do mundo ocidental.” (repare-se que o plágio é tão perfeito que até mantive o “p” na palavra “excepção”).

Mas eu queria manter a colagem ao artigo do João Miguel Tavares, para citar esta parte:

Vamos, então, à menos republicana lista do partido que mais se orgulha de ser republicano. Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência, é filha de José Vieira da Silva, ministro da Segurança Social. João Gomes Cravinho, ministro da Defesa, é filho do ex-ministro João Cravinho. António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, é irmão de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS. Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, é marido de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar. Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, escolheu recentemente o advogado Eduardo Paz Ferreira para presidir à comissão que vai renegociar a concessão do terminal de Sines (em cima da mesa: 100 milhões de euros para expansão do terminal). O advogado Eduardo Paz Ferreira é marido da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem.

Maria Manuel Leitão Marques, que agora deixou o governo, irá ocupar em Junho o cargo de deputada do PS no Parlamento Europeu. Esse cargo já antes foi ocupado pelo seu marido, Vital Moreira. A mulher do eurodeputado Carlos Zorrinho, Rosa Matos Zorrinho, deixou de ser secretária de Estado da Saúde, mas foi, entretanto, nomeada para presidir ao conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central. Guilherme Waldemar d’Oliveira Martins, filho do ex-ministro Guilherme d’Oliveira Martins, também deixou agora de ser secretário de Estado das Infraestruturas, após António Costa ter nomeado para ministro do Planeamento o seu amigo Nelson de Souza. Nelson de Souza vai juntar-se no governo ao grande amigo Pedro Siza Vieira, ministro-adjunto. Há ainda outro grande amigo, Diogo Lacerda Machado, que nunca quis ir para o governo, mas foi ajudando bastante, até acabar administrador da TAP.

Pergunto: alguém acha isto normal?

Como diz Miguel Poiares Maduro, “é uma elite familiar a governar um país”.

Como afirma João Miguel Tavares, “se alargarmos a análise dessas relações a toda a família socialista, os resultados são de cair o queixo

E por isso, agarrando no desafio de João Miguel Tavares e aproveitando a expressão que intitula o livro sobre o fim da globalização de Finbarr Livesey, “From Global to Local”, pergunto: alguém tem coragem de fazer estas perguntas no universo da Câmara de Guimarães?…

André Coelho Lima é advogado e vereador do PSD eleito pela Coligação Juntos por Guimarães. Integra a comissão política nacional do PSD.