A mudança!

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Realizou-se na última sexta-feira mais uma Assembleia Municipal. A CDU optou por colocar algumas questões sobre a mudança anunciada na imprensa sobre a alteração do espaço que receberá a Feira Afonsina.

A estratégia desta mudança é da responsabilidade do poder local com argumentos muito pouco sustentados e por isso a CDU optou por levar questões que esclarecessem os vimaranenses.

Esta recriação histórica tem lugar em pleno Verão no Centro Histórico e já fazia a ligação com o Monte Latito. Esta festa é das poucas que foi sofrendo alterações nos últimos anos. A primeira mudança deste evento deu-se com a alteração da data em 2015 de Setembro para Junho. Corria-se menos riscos da chuva estragar a festa e deixava de ser a última festa medieval do país.

Esta mudança não foi e não é do agrado de todos, como bem sabe o Presidente da Câmara, pois os meses de verão garantem uma grande afluência de visitantes e criar um evento no fim da época alta dava uma ajuda ao comércio e restauração que durante os meses de Inverno não fazem tanto negócio. Também se evitava que se acumulassem os eventos com muita proximidade uns dos outros.

Se no ano passado a Feira Afonsina foi um sucesso, como pudemos ler na imprensa e nos comunicados da Câmara Municipal, não se percebe a necessidade de modernizar e repensar a festa.

E o mais estranho, mas que se tornou já um hábito neste executivo de maioria PS, é que a proposta foi aprovada em reunião de Câmara no dia 14 de Fevereiro e as reuniões com as associações de comerciantes e a ACIG, ou seja, os mais interessados e os conhecedores da realidade só seriam feitas na semana seguinte. Primeiro decidem, apresentam a decisão consumada e só depois vão ouvir os interessados sobre o que pensam desta decisão. Quero, posso e mando!

Com tantas mudanças talvez possamos ver a Feira Afonsina a chegar até ao Campo da Ataca, em Aldão. Aqui D. Afonso Henriques terá travado a Batalha de São Mamede, acto iniciador da nossa independência e já que o Senhor Presidente da Câmara é tão defensor da independência e da “primeira tarde” portuguesa também não se percebe porque este espaço tão emblemático continua esquecido.

Na minha intervenção lancei o desafio da reflexão e quem sabe da auscultação dos interessados sobre outros eventos que se realizam no Centro Histórico, como por exemplo, a Noite Branca. Seria talvez mais eficaz e mais seguro para os moradores se mudassem o epicentro desta festa. Mas quanto a esta questão o senhor presidente não se referiu porque apontar o dedo à oposição, querendo-lhe impor a forma de actuação, acusando-a de querer apenas destruir ideias ou projectos, é mais fácil.

Só posso lamentar que tanto o executivo camarário como a bancada do PS só saibam ser oposição à oposição e que não se esforcem para esclarecer, para defender as suas ideias e para convencer de que escolhem os melhores caminhos para Guimarães.

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.