“As Massas”

As massas que os populistas políticos gostam.

Sobre tais massas, vamos ler o que nos diz Edgar Rodrigues – pensador, escritor e autodidata; português desconhecido da maioria da corriqueirice cultural lusitânia.

“Massa, farinha molhada, amassada para fazer pão, substância pastosa e mole. Não tem ação própria, elemento balofo e amorfo.

Mas a “grande dimensão” de massa anda na boca dos políticos. Para eles, significa aglomerado de gente, multidão de trabalhadores a quem procuram convencer periodicamente com discursos candentes, de que devem segui-los e neles votarem!

São grupos humanos aos quais podem falar à vontade, pois as pessoas que compõem só ouvem, aplaudem e não contestam! Massa é uma multidão bate palmas a quem grita primeiro, a quem berra mais alto e que está sempre de acordo com o último orador que ouviu falar no vira da esquina.

Massa é, portanto, um grande bolo informe, amorfo, muita gente junta, sem vontade própria, que não sabe o que quer nem para onde deve caminhar, gente que precisa de que se pense por ela. Que tem de ser manipulada, trabalhada e conduzida. Que tem a mesma necessidade de um chefe, como o rebanho do seu pastor!

Massa é o povo que não pode vencer as etapas normais do desenvolvimento físico, psíquico, emocional e intelectual; é o povo deformado pelas estruturas políticas, condicionado pelos costumes religiosos, medo de ser livre, tal é o sentimento de escravo fixado e desenvolvido no subconsciente; seres humanos que não podem andar sozinhos; incapazes de pensar, de raciocinar e decidir pela sua própria cabeça, sempre necessitando de ter presente a sombra do líder, do cacique, do chefe e do governo.

Massa como designação de unidade coletiva humana, precisa de desaparecer dos dicionários, da boca dos propagandistas comerciais e políticos e, principalmente, da ideia dos responsáveis pela instrução, pela educação e cultura dos jovens, para que venhamos a ter individualidades conscientes, com capacidade de pensar e agir sem temores íntimos ou externos de qualquer espécie”.

António Alvão, Reformado e militante da luta não abandonada.