Movimento Poético #12

Por César Elias

Frágil

A noite humaniza-me.
E os dias agónicos
Os dias de poeira clara
Essas horas de loucura
Esses raios de uma busca infrutífera
Essa claridade vendida
Fragilizam-me.
Desumanizam-me nuvem a nuvem
Notícia a notícia
Clara e friamente
Até que me sinta bem
Bem desumanizado
Perdido num nenúfar de um ácido perigoso e futurista.

Sabes, a noite não é melhor do que o dia.
A noite é incorruptível
Feminina
Sensível
E compreende-nos
A mim e a ele
Àquele medo de luz
De luz que terei que comprar
Da clarividência que não entendo.

Não entendo.
Não engulo a negritude do dia
O que se diz e por onde se vai
O que se é em tecnologia
Como se amor fosse
Ou maldição estaminal
Não entendo.
Pasmo ao tabuísmo que vive às grutas da boca
É como se fosse já apêndice
Forma de vida
Imposição animal.
Mas salva-me a noite.

*rubrica cujo título é inspirado em António Gedeão

Foto: Elisabete Pereira Rodrigues